A psicóloga Karla Janaíne de Moraes, 40 anos, vive agora o período escolar de sua filha, Larissa, 8 anos, também portadora da síndrome de Down. “Observo e acompanho em câmera lenta cada pequeno avanço da minha filha. Cada coisa nova que ela aprende, é uma grande alegria... amarrar o sapato, escrever o nome. A pessoa com deficiência, como qualquer outro ser humano, tem muitas capacidades. A família precisa acreditar no potencial da criança e dar condições para ela se desenvolver”, disse a psicóloga. Foi com o objetivo de ajudar outras mães, outras famílias com filhos Down, que Karla decidiu fundar o grupo que tem o sugestivo nome de “Crer para Ver”, em 2007.
Atualmente o grupo tem nove mães que participam das reuniões mensais e dos eventos desenvolvidos pelo Crer para Ver, como a organização de palestras sobre direitos das pessoas portadoras de deficiências. Uma das conquistas do grupo ao longo desses sete anos de trabalho conjunto foi conseguir a realização em Franca da Semana Municipal de Conscientização e Inclusão. O dia Internacional da Síndrome de Down é comemorado em 21 de março, assim todos os espaços de assistência social e educação da cidade devem abordar a síndrome durante a semana do dia 21. “O objetivo era reunir essas mães para a gente poder falar da esperança. Para algumas famílias isso é muito difícil. Passa-se por fases como o luto, a raiva, a depressão e a aceitação e às vezes a família para em algum estágio”, explicou a psicóloga.
O grupo busca trabalhar a informação em relação à síndrome, mas é aberto para qualquer pessoa que tenha filho com deficiência. “O objetivo é trabalhar a informação, porque o preconceito acontece quando você não conhece algo”, comenta a fundadora e coordenadora do grupo.
Mas, claro, o grupo vai além e serve como amparo emocional para muitas mães. É lá que elas encontram espaço para dividir dúvidas, ansiedades, emoções. Foi essa possibilidade que motivou a estagiária de pedagogia, Cibele Marques dos Santos, 37, mãe de Samuel, 8 anos, a participar dos encontros desde o começo, quando seu filho tinha um aninho. Para ela, o grupo de mães contribuiu para uma troca de experiências. “A verdade é que a gente se sente muito sozinha. Eu pensava com quem ele ia namorar, quem seriam os amigos dele, eu queria alguém para compartilhar o que eu pensava, mas que vivesse uma situação parecida com a minha. Aqui eu encontrei”, disse.
Para as mães do grupo, em que pesem as dificuldades de lidar com o dia a dia dos filhos, o maior desafio mesmo é uma visão social da inclusão, de um espaço inclusivo. Elas pontuam que a educação é o setor que ainda apresenta muito a ser trabalhado, “principalmente na disposição em aceitar o que é diferente”. Na área da saúde ainda persiste o problema do momento da notícia e a demora do diagnóstico.
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