Os olhos de Noel


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Acontece de uma criança às vezes nascer com um olho de cada cor. Esse era o caso de um menino muito especial chamado Noel.
 
O olho direito parecia-se com uma jabuticaba preta, era o olho com o qual o menino olhava as coisas lógicas da vida, um olhinho apaixonado por livros, letras e números.
 
O olho esquerdo era tão azul quanto o céu de um dia claro, era o olho com o qual o menino sonhava o mundo, ele enxergava o que ninguém via. Era o olho de imaginar mil motivos para ser feliz.
 
-Feche os olhos, Noel, assim o sono chega mais rápido! – Falava a mãe todas as noites.
 
O garoto fechava piscando apenas o olho direito e ficava acordado imaginando borboletas coloridas e tantas outras coisas. Acabava dormindo com um sorriso na boca. 
 
O olho azul tinha poderes mágicos, pois ele podia viajar através das galáxias em um minuto e estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
 
Na escola o olho direito fazia contas de matemática, tabuada e era engenhoso. Por ser o dono do olho pretinho o menino sentia-se a criança mais inteligente do mundo e era capaz de tudo.
 
Um dia os dois olhos no rosto de Noel olhavam encantados a vitrine de uma loja. No brilho colorido do rosto dele piscavam os verdes, os amarelos e os vermelhos das luzes de uma árvore de Natal. 
 
Então o menino suspirou e desejou de todo o seu coração que um dia todas as diferenças do mundo pudessem viver harmonicamente como as luzes de um pisca-pisca.
 
-Ah! E eu desejei que todas as pessoas pudessem ver o mundo com a pureza dos olhos de Noel ao menos por um dia. Feliz Natal!

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