Lembrei-me da marchinha Boas Festas, de Assis Valente, feita lá em 1932, considerada a canção de Natal brasileira na gravação inicia por Carlos Galhardo. ‘(...) pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel’.
Resolvi, então, escrever ao bom velhinho na esperança de ser atendido. Meus pedidos são muito simples e tenho certeza de que ele não se negará a atender a um dos seus filhos. Vamos lá.
Meu querido Papai Noel. A lista de meus presentes é a seguinte: (1) Acabe, por favor, com soberba dos governantes. (2) Elimine, de vez, a corrupção de meu país, em todos os escalões. (3) Racionalize a gestão do Estado brasileiro e diminua nossa escorchante carga tributária. (4) Faça com que os serviços públicos sejam de qualidade, sobretudo nas áreas da saúde, educação e segurança pública. (5) Na Economia, Papai Noel, quero que o senhor nos ajude a eliminar a inflação, esse terrível mal que assola nosso país e penaliza fortemente os mais pobres. (6) Proteja nosso meio ambiente, tão devastado e tão vilipendiado.
Peço perdão, meu querido Papai Noel, pois meus pedidos estão se alongando, mas como o senhor é minha esperança, tenho mais alguns: (7) Ilumine nossos congressistas para que eles encaminhem uma reforma do Judiciário a fim que este poder possa trabalhar mais celeremente. A propósito, gostaria de ver aprovada, com sua ajuda, a redução da maioridade penal, já que o senhor sabe, muitos dos menininhos de hoje são meninões marmanjões que sabem sim, o que fazem. (8) Faça com nossa democracia, que vem mostrando sinais de consolidação com o fortalecimento das instituições, custe um pouco menos. Com tantas mordomias, o índice de benefício/custo chega a ser negativo.
É isso, caro Papai Noel. Conto com o senhor - e acho que a maioria dos brasileiros também. E, saiba, não vamos nos esquecer do final da música do Assis Valente, onde ele diz que ‘felicidade é brinquedo que não tem’. É porisso que não lhe pedimos muito.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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