Natal das lembrancinhas


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Os problemas econômicos pelos quais o Brasil atravessou neste 2014, que chega ao seu fim em uma semana, forçaram o brasileiro, principalmente a classe trabalhadora, a mudar uma tradicional postura nas festas de final de ano. Antes, o 13º salário tinha parte reservada para a compra de presentes e alimentos já consagrados nas festas de final de ano. Agora, o pagamento de contas e a poupança passaram a ser mais importantes do que os encontros familiares nestas duas datas significativas. O baixo movimento do setor varejista que perdurou ao longo do ano, repetiu-se nos últimos dias. Nem a aproximação da data em que o setor comercial aposta todas as suas fichas (o Natal, assim como o Dias das Mães e o dos Pais, onde o volume de vendas sempre foi muito maior) tem sido capaz de reverter a situação de desânimo dos varejistas, fato que só pode ser comparado às fracas vendas que antecederam a Copa do Mundo, no meio do ano.
 
Os seguidos números alarmantes da economia brasileira (o próprio Banco Central admite um novo Pibinho e uma inflação próxima do estouro da meta para este ano) deixaram o brasileiro desconfiado, ainda mais quando há informações de que o governo pretende acertar as suas contas com um ajuste fiscal que passa pelo aumento de impostos, taxas e tributos, além da (re)criação de mais alguns, como a Cide (sobre venda de combustíveis) e a CPMF (Contribuição sobre Movimentações Financeiras). Mais uma vez serão os contribuintes e consumidores que terão de arcar com o descontrole da economia brasileira e tudo isso se reflete nas vendas do comércio.
 
Outro fator preponderante para esta situação, pelo menos aqui em Franca, é a retração no emprego, que afeta diretamente o setor comercial e o de serviços. A retração do mercado de trabalho levou a níveis recordes de demissões, principalmente na indústria calçadista. E isto afeta diretamente toda a economia local: reduz-se o dinheiro em circulação, cria-se o temor de ser atingido pelos cortes de vagas e o trabalhador prefere pagar as contas ou poupar, esperando tempos mais difíceis. Por isso, estaremos vivendo um Natal de lembrancinhas: o consumidor tem procurado produtos mais baratos para presentear, ao contrário do que aconteceu em anos passados, quando celulares, tablets, televisores de LED ou LCD e outros eletrônicos foram os mais procurados.
 
Esta é a situação atual: o Brasil vive um momento delicado e o brasileiro está aprendendo a decifrar os sinais que os indicadores da economia têm passado. Os próximos meses serão cruciais para a recuperação econômica e vai exigir de todos nós um aperto de cinto para o qual, aparentemente, a maioria já está se preparando. As festas de final de ano e a distribuição de presentes serão mantidas, já que é uma tradição. Mas tanto uma quanto outra serão mais modestas, como se pode perceber nas lojas e nos supermercados. O aperto sobre quem consome e paga impostos será maior no ano que vem. Oxalá o País consiga atravessar sem maiores traumas o que está por vir e possa voltar a crescer.
 
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