Dilma tem que agir


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No centro do maior escândalo de corrupção da história do País a Petrobras tornou-se um exemplo do que a corrupção pode fazer, ao perder mais da metade de seu valor no mercado após o escândalo. Nas últimas décadas, a empresa vinha sendo usada para engordar caixas de partidos e a conta de políticos, diretores e empresas de fachada, além de enriquecer empreiteiras, como têm mostrado as investigações da Operação Lava Jato baseadas nas delações do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Além disso, cada uma de suas ações está custando menos de R$ 10, ampliando o prejuízo do governo e de seus acionistas, inclusive trabalhadores brasileiros que anos atrás aplicaram o saldo de seu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) nas ações daquela que era uma das mais sólidas empresas do mundo.
 
Em qualquer empreendimento privado, o escândalo e suas consequências teriam derrubado toda a diretoria. Ainda mais depois que Venina Velosa, ex-diretora da estatal, apresentou provas de que a diretoria da Petrobras sabia do que vinha acontecendo na empresa e nada fez. Porém, amiga da presidente Dilma Rousseff (PT), a principal executiva da petroleira, Graça Foster, continua inabalável no cargo e não há qualquer perspectiva de que possa vir a perder o posto. Mesmo confrontada com as novas denúncias que surgiram nos últimos dias, Dilma resiste em fazer a mudança que todo o mercado e os brasileiros esperam.
 
Ontem, no tradicional café da manhã de final de ano com jornalistas que cobrem o dia a dia do Palácio do Planalto, a presidente saiu em defesa de Graça Foster, indicou que não pretende mudar a diretoria da estatal, assegurou que está trabalhando para que a nota de crédito da Petrobras não seja rebaixada e avisou que pretende mudar o seu conselho de administração, sem entrar em detalhes. Esta demonstração de apreço à dirigente da empresa não dá bons sinais ao mercado e demonstra que Dilma Rousseff titubeia em tomar posição para estancar a sangria. O escândalo pode respingar nela própria por ter sido presidente do Conselho de Administração da companhia quando da compra da refinaria de Pasadena, o estopim de todo o caso.
 
A Petrobras só vai conseguir retomar o ritmo de crescimento e o rumo de sua grandeza depois que passar por uma reengenharia, mudando todo o seu quadro diretivo, recebendo mecanismos capazes de impedir que o seu patrimônio fique à mercê de partidos e de políticos. Assim como as outras estatais, deve ter seus quadros preenchidos por capacidade e não por indicações. O TCU (Tribunal de Contas da União) e a CGU (Controladoria Geral da União) precisam ter maior autonomia para fiscalizar e barrar ações ilícitas no poder público e não apenas fazer recomendações que não são seguidas. O Brasil tem o instrumental necessário para impedir que a corrupção tome conta da máquina administrativa do governo e das estatais. Basta que dê condições para que contratos, licitações, compras e pagamentos irregulares sejam impedidos antes que aconteçam.
 
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