Medicina perde aos 83 anos Luiz Faraco, pediatra de várias gerações


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Respeitado médico  Luiz Faraco foi sepultado,  ontem à tarde, em Batatais
Respeitado médico Luiz Faraco foi sepultado, ontem à tarde, em Batatais
Até um mês atrás o médico pediatra Luiz Faraco repetia a mesma rotina que cumpriu nos últimos 57 anos: acordar cedo e dar expediente durante toda a manhã, tarde e, às vezes, noite em seu consultório equipado com escrivaninha, armário, maca e mais nada. Um infarto sofrido há cerca de 30 dias culminou, por volta das 20 horas do último domingo (21), no fim de sua trajetória na pediatria. Ele completaria 84 anos em 25 de maio do ano que vem.
 
Levado após o infarto para um hospital em Ribeirão e, posteriormente, para outro em São Paulo, o médico foi o-perado, recebeu ponte de safena, teve alta e voltou para casa em Batatais. Há cerca de duas semanas, no entanto, uma infecção o mandou de volta para o leito hospitalar, desta vez, do São Francisco, em Ribeirão Preto, onde permaneceu até morrer.
 
Luiz foi casado com a professora Maria Consuelo Mello Faraco, morta em 15 de maio de 1993. Tiveram quatro filhos. A primogênita é Maria Paula Faraco, 52, comerciante, casada com o empresário do ramo de tubos e conexões Carlos Eduardo Guimarães. Eles vivem em Maceió (AL) e são pais de Luan e Pedro. O segundo filho é Luís Paulo Faraco, 51, que atua em um depósito de bebidas em Batatais, e é casado com a proprietária da escola infantil Cuca-Legal, Maria Auxili-adora Dias Faraco. Eles são pais de Guilherme.
 
Cláudia Faraco, 50, a terceira filha, é casada com Celso Pereira Júnior. Dirigem uma pousada em Ubatuba, litoral paulista, e são pais de Celso Neto e Lucas. O filho caçula, Evandro Faraco, 48, mora em Franca, atua no Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) local e é casado com Daniela Abraão Araújo Faraco. Os dois são pais de Luísa, Gabriel e João Victor.
 
O médico passou os últimos anos ao lado da mulher, Maria Helena Meireles, em uma casa no Centro de Batatais. For-mado em 1957 pela Facul-dade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, fez residência por dois anos naquela cidade e depois se mudou para Franca, onde trabalhou por quatro anos. ‘Como tive muita dificuldade de ingressar no corpo clínico dos hospitais da cidade e tinha a pressão da minha família, voltei para Batatais‘, contou ele em uma das entrevistas concedidas a este Comércio.
 
Avesso a tecnologia e planos de saúde, o médico primava pelo atendimento minucioso. Sua investigação e exames clínicos em consultório demoravam, no mínimo, uma hora. ‘Hoje, a maioria das consultas é realizada entre 10 e 15 minutos. Isso acontece muito por imposição dos convênios. Muitas vezes, o médico nem toca na criança‘, dizia ele para explicar sua recusa aos planos.
 
Em 2007, ano em que completou meio século de atuação profissional, Luiz Faraco contabilizava em seu cadastro de atendimento, mais de 160 mil pacientes segundo contou ao Comércio.
 
Assumidamente mais po-pular em Franca do que em Batatais, a repercussão de seu nome ia longe e atraía pais até de outros Estado em busca de tratamento, orientação e cura para as mais diversificadas enfermidades dos filhos.
 
Luiz Faraco repetia sempre que o trabalho lhe proporcionava felicidade. ‘Ele tinha se aposentado há muito tempo, mas nunca conseguiu parar e ficar em casa. Ele amava a profissão e salvou muita gente ao longo da vida‘, disse o filho Luís Paulo. 
 
O velório aconteceu no São Vicente de Paulo batataense, seguindo-se sepultamento às 13 horas de ontem (22) no cemitério da Saudade daquela cidade. 

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