Pais choram a morte dos filhos: ‘Ele destruiu duas vidas e duas famílias’


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Oliveiro Bárbara, pai de Júnior, chora abraçado com Jhoni e Aparecida Lopes, irmão e mãe de Juliana. Familiares se encontraram na delegacia, se emocionaram e pediram justiça
Oliveiro Bárbara, pai de Júnior, chora abraçado com Jhoni e Aparecida Lopes, irmão e mãe de Juliana. Familiares se encontraram na delegacia, se emocionaram e pediram justiça

O domingo 14 de dezembro era para ser como outro qualquer para duas famílias de Franca que moravam em bairros distantes e que não se conheciam. Talvez, seria especial apenas para dois jovens que se encontraram dois dias antes e combinaram de sair pela primeira vez para conversarem. Aquele domingo ficará marcado para sempre. Jamais será esquecido. Júnior César Barbosa Bárbara, 28, não teve tempo de conversar com Juliana Cristina Lopes, 23. Se eles tinham algum plano futuro juntos, este plano foi brutalmente interrompido por um motorista irresponsável. Após beber e discutir com parentes em um churrasco, o pedreiro Fernando Rodrigues de Souza, 40, saiu dirigindo um Santana pelas ruas do bairro Santa Terezinha. Em um cruzamento, ele não respeitou o sinal de parada obrigatória e atingiu em cheio a moto em que estavam Júnior e Juliana.

Os dois jovens morreram quase que instantaneamente. As imagens dos corpos arremessados contra o solo são impressionantes. A pancada foi violenta. Dentro do carro, foram encontradas duas latas de cerveja, uma faca, barras de ferro e um celular. Populares disseram que o motorista pretendia usar a faca para matar um parente com quem havia brigado. Fernando não ficou no local para contar sua versão. Após atropelar e matar, ele fugiu sem prestar socorro às vítimas.

Após quatro dias sumido, o motorista se apresentou no 5º DP. Disse que tinha bebido apenas duas latas de cerveja, alegou que parou, mas que não teria visto a moto. “Só fugi porque fiquei com medo de me lincharem.” Um hora depois de chegar à delegacia, saiu andando pela porta da frente e foi para casa. Responderá por duplo homicídio culposo (quando não há intenção de matar), por dirigir embriagado e omissão de socorro. “Não pode uma coisa desta. O Brasil tem que mudar, meu Deus, quantas famílias ainda vão ser destruídas por pessoas irresponsáveis? O que estamos passando muitos ainda vão passar. Só nós, que estamos passando por isto, sabemos o quanto dói. Não estamos aguentando. A família inteira não se alimenta, só chora, ninguém se conforma”, conta Aparecida Eurípedes Damasceno Lopes, mãe de Juliana. A jovem deixou dois filhos, um menino e uma menina, que choram todos os dias perguntando pela mãe, disse a avó.

A filha dela morava no Brasilândia e trabalhava como doméstica de segunda a sábado. Juliana dormiu na casa da mãe, no Miramontes, no fim de semana, ajudou nos afazeres domésticos e saiu domingo à tarde para conversar com o amigo que tinha acabado de conhecer. Disse que voltaria logo. “Ela nunca mais voltará. Meus netos não vão poder conhecer a mãe. O mais velho pergunta por ela e eu falo que está viajando. Queria falar para o motorista que ele não destruiu só minha filha, não. Destruiu a minha família inteira. É uma dor muito forte. Não estou viva. Morri junto com ela, estou morta.” Juliana deixou o filho Pietro, de quatro anos, e a filha, Maria Eduarda, de um ano e dois meses. TristezaJúnior César morou sete anos na Europa. Passou pela França, Portugal e Suíça. Trabalhava na construção civil e também tentou a sorte como jogador de futebol. Havia retornado para Franca há pouco tempo e morava perto da casa dos pais no Tropical. “Ele era um filho muito bom. Convivia bem com todo mundo e gostava de ajudar as pessoas”, lembra com saudades e lágrimas nos olhos seu pai Oliveiro Vicente Bárbara. “O que estou passando não desejaria para ninguém. Nunca imaginei passar por uma coisa terrível como esta na minha vida. É uma dor insuportável. Não tem nada que vai curar. Estou sofrendo mais e mais. Se Deus não tiver misericórdia, não sei o que será da minha vida. A gente fica mais revoltado porque ele tirou a vida do meu filho, praticamente, por querer.”

Ao lado da mulher e de outros dois filhos, Oliveiro foi à delegacia na quinta-feira e cobrou explicações do motorista atropelante. A família se revoltou ao ver o homem que provocou a morte de dois jovens cheios de planos ser liberado. “É só no Brasil que um assassino sai pela porta da frente. É inacreditável. A justiça é muito branda, precisa ser mais forte. Ele destruiu duas vidas e duas famílias. Estamos arrasados. Creio muito em Deus, que ele possa pagar tim-tim por tim-tim a dor que está nos causando”.

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