Passadas as eleições e, sem ter onde buscar mais água para abastecer São Paulo, agora sem riscos eleitorais pertinentes, o governo parte à execução de ferramentas de economia. Primeiro deu desconto a quem economizasse. Agora, vai penalizar com acréscimo de 20% a 50% no valor da conta mensal os que aumentarem consumo sem justificativa. Com essas medidas, busca evitar que parte da população fique completamente desabastecida. Mas, concomitantemente, há grande tarefa a se cumprir. O desafio crucial é a eliminação de vazamentos na rede pública. Quase 40% da água captada e tratada se perdem. São duas perdas: água e tratamento.
Acomodados governantes e administradores de saneamento justificam que vazamentos ocorrem porque as redes são antigas e a substituição, além do custo, provocaria transtornos urbanos, especialmente interrupção de trânsito, já caótico. Por isso, a substituição de canos é lenta. Diante da emergência, outra medida poderia ser de grande valia para evitar perdas com vazamentos: manter abastecimento apenas uma parte do dia — durante 6 ou 8 horas —, tempo suficiente para encher o reservatório dos consumidores. Se a rede estiver ativa apenas nesse período, haveria economia de três quartos da água que hoje se perde em vazamentos.
Boas práticas de engenharia e arquitetura e até códigos de posturas não admitem imóvel sem reservatório de água, embora muitos possam ter sistema avariado ou, até, estarem sem a caixa. Mais simples que abrir ruas para trocar canos seria fiscalizar imóveis, exigir que tenham caixas em funcionamento e desenvolver programas sociais de auxilio a carentes que não possam, com recursos próprios, fazer reparos ou instalações. A água é finita. É necessário conservá-la e bem utilizar as reservas, conscientizar a população sobre uso racional e investir em novas fontes, a exemplo da despoluição dos rios. Há grande quantidade de recursos a se colocar em prática antes que as torneiras sequem por completo. E não há tempo a perder...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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