Mais uma do nosso prefeito


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O administrador público, antes de tudo, precisa estar junto da comunidade que dirige e procurar suprir suas carências e atender às suas reivindicações. Precisa ainda ser humilde para reconhecer as suas próprias falhas — a falibilidade é inerente ao ser humano — e fazer um “mea culpa” àqueles que o elegeram. Ninguém é perfeito e nem acerta sempre. Todos erramos, mas temos que exercitar nosso senso crítico para nos mantermos com os pés no chão. Do contrário, a soberba e o orgulho afloram e afastam qualquer possibilidade de rever decisões e reconhecer os próprios erros.
 
É desta forma que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) age, atraindo críticas de toda a população, podendo passar para a posteridade como o pior chefe do Executivo da história francana. Não reconhece os erros e não se desculpa por eles. Que o digam as famílias das vítimas que tiveram suas mortes ligadas ao Sistema Público de saúde do município neste último ano, as quais ainda aguardam uma posição oficial da Prefeitura e da Secretaria de Saúde, que não apresentou qualquer conclusão a respeito destas mortes. Calaram-se, como se isso fosse capaz de resolver a situação. Muito pelo contrário. O mutismo da administração municipal serve para irritar ainda mais os francanos, que não veem qualquer tentativa do prefeito ou de seus assessores em esclarecer o assunto.
 
Agora, em mais uma prova de sua inabilidade política e falta de senso crítico, Alexandre Ferreira tenta inutilmente explicar o projeto aprovado pela sua base aliada na Câmara Municipal que certamente permitirá a volta dos super salários dos médicos da rede municipal com a mudança na sistemática de remuneração. Ele cita “instrumentos de controle” que todos sabem serem inexistentes, pelo menos na Secretaria de Saúde. Voltaremos à mesma situação que vinha se verificando no sistema, com consultas de um minuto e médicos tendo vencimentos de até R$ 52 mil por mês. Num país onde o salário mínimo não chega a R$ 1 mil e a maioria da população ganha em média menos de R$ 2 mil, trata-se de um descalabro total.
 
O pior é que o prefeito admite a existência das consultas de um minuto e, o que é pior, considera que elas não são “problema” e nem prejudicam o paciente. Quem consegue, em um minuto de conversa, sem sequer tocar o paciente, traçar o diagnóstico e prescrever o medicamento correto? Mesmo que o sistema de saúde em Franca fosse exemplar — e ele está bem longe disso — não se pode admitir que voltem os diagnósticos seguidos de virose e prescrição de dipirona. Alexandre Ferreira, que dirigiu a Secretaria de Saúde por seis anos (quando foi instalada a indústria das horas extras nas unidades de saúde do município), deveria ter humildade para pedir desculpas aos francanos e a capacidade de reconhecer que nenhuma das providências que vem tomando para melhorar a saúde pública só vai beneficiar um lado — e este não é o da maioria dos que não tem plano de saúde. Ou seja, mais uma vez o prefeito ignora os seus eleitores e se equivoca até em suas manifestações.
 
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