O lirismo das cores


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Wanderson Souza dança flamenco e agora passou a se dedicar à pintura
Wanderson Souza dança flamenco e agora passou a se dedicar à pintura
Dançarino de flamenco que viveu  anos na Espanha e ficou muito conhecido em Franca pelas apresentações do grupo Andaluzes, o mineiro Wanderson Souza, hoje vivendo em Rio Claro (SP), surpreende com outra faceta das suas aptidões: as artes plásticas.
 
Ele abre vernissage em Franca, neste sábado, 20, das 17 às 22 horas, na Editora Vira Letra (rua Nabi Haber, 407) para apresentar as suas telas abstratas em técnica mista. São quadros impactantes, em abstracionismo e que misturam materiais diferentes, como a tinta acrílica num primeiro processo e nanquim e óleo num pequeno acabamento sobre as texturas, o que confere luz e efeitos diversos, como espatulados num trecho e pinceladas em outro, bem como a  utilização de ferramentas não muito convencionais e espátulas de silicone que alçam efeito de fundo, por vezes, semelhante ao das pátinas mexicanas.
 
Os efeitos são singulares. No lirismo das cores, esse artista apresenta, na fase presente, predomínio de tons terrosos, vermelhos e turquesas em traçados precisos que são deslumbrantes. Discípulo em termos de filiação estética do alemão Gerhard Richter,  Wanderson Souza mostra a que vem. A sua obra pode ser visualizada em www.facebook.com/wsgalleryofart .
 
Quando e como você, tão conhecido na cidade pelo flamenco, descobriu a aptidão para a pintura?
Há uns dois anos, foi algo totalmente inesperado e surpreendente, achei uma caixa de pintura que pertence ao meu companheiro que também pinta, comecei e nunca mais parei.
 
Fale um pouco do seu estilo e influência nas artes plásticas.
A pintura é muito recente pra mim, ainda preciso experimentar muito, não saberia classificar o estilo. Busco o tempo inteiro uma liberdade  sem medos, sem regras. O que sai é algo abstrato, acidental, experimental, espontâneo, nada acadêmico. Gosto muito do pintor alemão Gerhard Richter, do suíço Paul Klee, Miró e Picasso. 
 
Como você está se dividindo entre a pintura e a dança, o que ambas estão representando na sua rotina?
São muito ligadas, depois de 15 anos estudando flamenco, acho que fica pra sempre um lado visceral, intenso, forte, que talvez esteja inconscientemente na pintura.  Mas atualmente passo mais tempo pintando.
 
Observa-se predomínio de tons vermelhos nas telas do vernissage. Fale sobre isso. 
Tenho tendência a cores quentes, acho que elas tem vibração forte, que não passa desapercebida aos olhares e causa um impacto no ambiente, não são indiferentes.
 
O que esta exposição pretende expressar, em termos de fase?
É uma preparação para meu trabalho novo, que se chama OinfinitO, e é bastante amplo. E a exposição será bem informal. Tem uma ligação muito forte com a natureza, a beleza, força e grandeza das árvores. Uma ligação com o mistico, com a alquimia para o despertar de uma visão muito mais ampla e positiva de tudo que existe no nosso interior e no universo. Penso que temos muitas possibilidades para viver aprisionadas a um só tema, assunto, gosto, sabores, ou cheiros. A minha pintura é algo totalmente desconhecido, que deixo surgir, e nesse novo, na nova tela, vão se revelando os mistérios.

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