Santa Casa de Patrocínio corre o risco de fechar as portas em 2015


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Geter Simão Ferreira, gerente administrativo da Santa Casa de Patrocínio, afirmou que instituição passa por situação delicada
Geter Simão Ferreira, gerente administrativo da Santa Casa de Patrocínio, afirmou que instituição passa por situação delicada
Com 106 anos de história, a Santa Casa de Patrocínio Paulista pode fechar as portas em 2015. O risco foi admitido ontem, 18, pelo gerente administrativo da instituição, Geter Simão Ferreira, que não vê outra alternativa caso não receba ajuda financeira do município e do Governo do Estado. Desde o começo do mês, a Santa Casa está com o quadro de funcionários reduzido, fechou uma das entradas de pacientes e, no último dia 15, suspendeu a realização de cirurgias eletivas. Neste período, 93 funcionários (internos e externos), de um total de 151, foram demitidos. 
 
O motivo, de acordo com o gerente, é o fim de um convênio com a Prefeitura que garante o repasse de R$ 500 mil mensais para o atendimento de especialidades e de urgência e emergência. A Santa Casa também é responsável pelo atendimento em unidades básicas de saúde da cidade. A Prefeitura comunicou que vai assumir o serviço a partir do próximo ano e, portanto, reduzirá o valor repassado. “É uma parceria de 12 anos, onde 200 pessoas por dia são atendidas. A Prefeitura ofereceu diminuir R$ 110 mil, mas não foi possível concordar, pois os médicos não aceitam reduzir os salários”, disse Ferreira.
 
O gerente afirmou ainda que hoje praticamente 100% do funcionamento da instituição se deve à realização desses serviços. “O que recebemos pelo SUS não é suficiente para suprir a folha de pagamento e manter o funcionamento da Santa Casa acaba ficando inviável. Sem o repasse vamos passar a atender somente pela regulação de vagas do Estado, que é o sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde)”.
 
Com a delicada situação financeira da Santa Casa, 34 médicos especialistas também já foram avisados que serão dispensados no próximo dia 31 de dezembro. “Estamos negociando com a Prefeitura há 90 dias e agora o nosso jurídico tentará chegar a um acordo na próxima semana. Esperamos que a Prefeitura volte atrás”.
 
O outro lado
O prefeito de Patrocínio Paulista, Marcos Ferreira (PT), disse ontem, 18, que a medida a ser implantada a partir de janeiro de 2015 não tem intenção de prejudicar a população e sim de melhorar a gestão dos recursos públicos. Segundo ele, a iniciativa surgiu após o Ministério Público do Trabalho abrir um inquérito civil exigindo a correção de irregularidades na contratação de profissionais para a atenção básica. 
 
Pelo inquérito instaurado, as contratações no sistema de saúde público efetuadas mediante convênio com a Santa Casa são consideradas uma prática vetada pelo artigo 37 da Constituição Federal. “Fizemos o concurso público e agora faremos as licitações para contratação de exames, como raio-x, tomografia e ultrassonografia, atendimento de especialidades e médicos. Se a Santa Casa quiser participar como prestadora de serviços, ela pode. A intenção é ter um melhor controle e parâmetro de custos, além da possibilidade de redução desses gastos”, disse o prefeito.
 
Ferreira ainda negou que a Prefeitura de Patrocínio deixará de ser parceira da Santa Casa local. “Temos a proposta de continuar a parceria, de manter algumas atividades com a Santa Casa, optamos pela licitação por acreditar ser a forma mais justa e adequada”.
 
 

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