‘Serei julgado e punido. Vocês podem ficar tranquilos’, afirma motorista


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Fernando Souza passa portão que dá acesso à avenida do Leporace
Fernando Souza passa portão que dá acesso à avenida do Leporace
Fernando Rodrigues de Souza
idade: 40 anos
profissão: pedreiro
residência: bairro City Petrópolis
 
Logo após prestar depoimento no 5º Distrito Policial,na manhã de ontem, e contar sua história sobre o grave acidente em que se viu envolvido, Fernando Souza falou ao Comércio da Franca a respeito. 
 
Como foi o acidente?
Eu estava descendo pela rua e diminui no cruzamento para um carro passar. Em seguida, deu para ver que não estava vindo mais nenhum carro, mais nada, então, eu acelerei e arranquei com o carro. Na troca de marcha, no meio da rua, a moto surgiu e chocou de frente com o carro. Não deu tempo de frear. Só vi, quando estava batendo. A moto não desceu pela rua, surgiu de um ponto que eu não vi. 
 
As vítimas foram arremessadas, tiveram graves ferimentos e morreram, uma delas na hora. Isto, não revela que você estava correndo?
Não estava, não dava para correr. Eu havia diminuído ali. Foi na hora do arranque para atravessar a rua.
 
Por que você fugiu e não prestou socorro às vítimas?
Porque o pessoal estava querendo me linchar. Eu fiquei com medo e corri. Fui até os meus irmãos e falei para eles socorrerem as vítimas. Depois, saí com medo deles virem atrás de mim, de me catar, de me linchar, até mesmo de me matar.
 
Por que demorou quatro dias para dar explicações?
Vou falar a verdade para você, é porque eu fiquei com medo do que poderia me acontecer.
 
Você havia bebido no churrasco?
Bebi duas latinhas de cerveja, mas eu estava consciente. Vi claramente que não estava passando ninguém na rua. A moto surgiu de um ponto que não consegui ver. Se tivesse visto, eu teria parado.
 
Sua família disse que você discutiu durante o churrasco...
A gente discutiu lá, sim, mas não quer dizer que vou matar uma pessoa por causa disto. Foi uma fatalidade que vai ficar na minha consciência pelo resto da minha vida.
 
Você se sente um covarde por ter fugido sem prestar socorro às vítimas?
Lógico, claro que sim. Me sinto um covarde, um lixo por ter feito isto.
 
O que você gostaria de falar para a família das vítimas?
Não tenho nada para falar. A única coisa é abaixar a cabeça e deixar que eles me batam. Eles têm este direito. Eu que fiz esta covardia, tem alguma coisa para falar, para consolar a família?
 
Pelo menos pedir perdão...
O máximo que vou fazer é ajoelhar e pedir perdão para eles e deixar que me arrebentem. Tenho que me dar por satisfeito ainda.
 
Você acha justo matar duas pessoas e sair pela porta da frente da delegacia?
Não acho, não. Serei julgado e punido, com certeza. Vocês podem ficar tranquilos.
 
 

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