A desilusão


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O ano chega ao fim. Infelizmente o povo brasileiro não tem muito o que comemorar. Ao contrário. Importantes indicadores econômicos e sociais permaneceram como estavam ou pioraram. A educação que se oferece no pais já não suporta mais tanto discurso e nada de ações concretas. 
 
Segundo o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o Brasil ocupa um decepcionante 53º lugar. As causas da ineficiência do ensino são conhecidas e passam pela péssima remuneração de professores e má gestão de recursos. Também não conseguimos erradicar o analfabetismo. 
 
No ensino superior, especialmente nas universidades públicas, os estudantes têm que conviver com sucessivas greves e péssimas condições estruturais.
 
No âmbito da segurança, os governos estaduais tentam ‘tapar o sol com a peneira’. Ao contrário do que se propala, a insegurança, até pouco atrás preocupação exclusiva de moradores de grandes cidades, agora inferniza também os habitantes do pequenos núcleos urbanos. 
 
A corrupção atingiu índices absurdos. O ‘assalto’ aos cofres da Petrobrás, até então a maior empresa do país — chega ao fim do ano ocupando o quarto lugar — é estarrecedor, e trouxe imensa indignação ao brasileiro consciente. No âmbito da saúde, o caos é total, verdadeira calamidade pública. Há incontáveis hospitais sucateados, longas filas nas unidades de pronto atendimento e longa espera por cirurgias eletivas. Na economia, a preocupação é com a volta da inflação e, por consequência, a possibilidade de recessão. 
 
O país, não obstante conviver com uma das maiores cargas tributárias do mundo, tem aumentado ano a ano sua dívida externa. Bate em algo próximo a US$ 128 bilhões. crescimento do PIB, soma de todas as riquezas produzidas pelo país vem caindo e se aproxima de zero. Nesse contexto de absoluta desilusão com o chamado ‘milagre brasileiro’, o que se espera é competência e austeridade daqui em diante. 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
 
 

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