Com o dinheiro dos outros


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Maioria dos vereadores de Franca dão provas de que a comunidade não importa
A maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Franca deu clara demonstração, anteontem, de que os francanos não importam quando o assunto é aprovar todos os projetos do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), mesmo sem conhecer o teor integral das propostas. Desta vez, as “vaquinhas de presépio” do Legislativo local fizeram o favor de mais uma vez ignorar que todo o dinheiro da administração municipal é dos contribuintes. E assim permitiram que a municipalidade volte a patrocinar salários inflados para os médicos da rede municipal de saúde. Ou seja: trocaram seis por meia dúzia, sem se importar com quem irá pagar a conta e ser mal atendido.
 
Dez dos quinze integrantes da Câmara voltaram a dizer sim a um projeto claramente nocivo aos cofres públicos. Apenas três votaram contra: Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB). O presidente da Câmara, Jepy Pereira (PSDB) — chamado de ditador por Radaeli, pela forma como a votação se deu — só se manifesta em caso de empate, por ser presidente da Câmara. Adérmis Marini (PSDB), repetindo gestos anteriores, não compareceu à sessão. Omitiu-se novamente, fugindo de qualquer votação mais importante para não se comprometer e ficar bem com os dois lados, população e prefeito. Uma atitude dos fracos e covardes. A esperança, agora, é que o Ministério Público do Trabalho intervenha novamente, uma vez que o projeto cria uma sistemática que pode retornar com os “super salários” dos médicos na rede municipal, além das consultas de um minuto, que são uma afronta ao francano que paga seus impostos em dia e depende da saúde pública.
 
A aprovação do projeto, da forma como aconteceu — inclusive com a rejeição de emendas que criariam limites para uma possível farra com o dinheiro do contribuinte — deixa bastante clara a qualidade da nossa Câmara Legislativa. Até o vereador Vergara (PSB), normalmente integrante do bloco de oposição ao prefeito, votou a favor depois de se reunir com um assessor de Alexandre Ferreira. Da forma como vem acontecendo, vê-se que a administração de Franca continua sendo monocrática, com a maioria dos vereadores aprovando tudo o que parte do Executivo. Não discutem e nem criticam, baixando a cabeça e dizendo amém a tudo, mesmo que haja prejuízo a quem os elegeu.
 
O francano não pode se esquecer, daqui a dois anos, dos nomes daqueles que têm contribuído para ‘afundar’ o município. O eleitor deve fazer uma crítica profunda do que esta Câmara de Vereadores representa no contexto atual. E, assim, rejeitar aqueles que não escutam os anseios de seus eleitores e aceitam votar matérias reconhecidamente nocivas aos cofres públicos, que são abastecidos com o dinheiro do contribuinte. Quem sabe, assim, eles aprendam que democracia é uma forma de governo em que o povo exerce a soberania, elegendo seus representantes para agir em seu nome. Dessa forma, pode também impedi-los de agir defendendo os interesses contrários ao que deseja a maioria dos eleitores. É apenas isso que os dez vereadores que votaram a favor do prefeito (e da sangria dos cofres municipais) merecem.
 
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