‘Meia Verdade’


| Tempo de leitura: 2 min
Do jeito que terminou, a Comissão Nacional da Verdade, criada e custeada pelo governo, não passou de instrumento de propaganda e bajulação a insurgentes do passado que hoje estão no poder ou são bafejados por elevados salários mercê da influência de seus grupos. Segundo a Lei 12528/2011, que a instituiu, a comissão deveria apurar violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988 mas seus membros ignoraram 126 vítimas citadas pelo Clube Militar — agentes do Estado e cidadãos comuns — também mortos nos confrontos da época. 
 
A tarefa não está cumprida. Os notáveis integrantes deveriam agir de forma isenta e apurar os fatos daquele período de convulsão nacional para dar à sociedade a melhor visão histórica, até como alerta à inconveniência de repetição. Quando sugerem que agentes do Estado — que cumpriram ordens ou simplesmente se excederam — sejam responsabilizados, buscam meio de excluí-los do benefício da Lei da Anistia e reacendem a discórdia. Se agentes públicos forem penalizados também haverá meio de fazer o mesmo com quem assaltou bancos, sequestrou, matou e tentou derrubar o governo de então. Também se esqueceram de apurar se é realmente verdade que os outrora guerrilheiros foram treinados e financiados por outros países, e o que pretendiam os financiadores. E bom lembrar, porém, que nada disso interessa ao Brasil atual. 
 
A Comissão Nacional da Verdade termina como meia-verdade. Faltou apurar a outra metade da verdade, que só não a vê quem não quer, mas isso não interessa aos detentores do poder. O que não pode é relatório incompleto gerar desmonte de estruturas, instituições e legislações que sustentam o Brasil de hoje. Não pode também servir para desviar atenção da apuração dos escândalos que envolvem a Petrobras, sistemas de trens e outros setores onde dinheiro público foi saqueado.
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários