Nos últimos dez anos o Brasil saiu de um volume exportado de US$ 73,3 bilhões e chegou a US$ 242,1 bilhões em 2013, mesmo com os encargos do Custo Brasil.
Aparentemente os números são grandiosos, mas apenas, aparentemente. A participação brasileira no comércio mundial não passa, historicamente, de 1,3%. Nos três primeiros trimestres de 2014, a balança comercial brasileira registrou um déficit acumulado de US$ 695 milhões: US$ 173,6 bilhões de bens e serviços vendidos ao exterior, contra US$ 174,3 bilhões comprados.
Entre 2011 e 2013 as exportações brasileiras caíram 5,4%, enquanto que as importações aumentaram 5,8%. As vendas brasileiras ao exterior vêm sofrendo o impacto da diminuição da demanda de matérias primas da China, a qual, por sua vez, vê-se impedida de exportar como vinha fazendo a mercados em recessão, como o europeu.
Também estão se reduzindo por questões relacionadas à proteção aduaneira, tarifas, tratados reunindo países em pactos regionais ou intercontinentais. Há, e é lugar comum, a ideia da correlação positiva entre comércio exterior e desenvolvimento. As trocas internacionais criam condições para a economia mundial crescer e se expandir.
O desempenho brasileiro nas relações econômicas internacionais está vinculado à capacidade do país promover inovações, de contribuir para aumentar a produtividade e de atuar com planejamento adequado que gerar forte regime de competitividade.
Na agroindústria podemos ser considerados ‘campeões’, mas, nos campos da tecnologia, produção industrial e gestão, o Brasil não registra aporte digno de apreciação por parte dos demais países.
O fraco desempenho nos negócios internacionais reflete o baixo aproveitamento das oportunidades que o comércio exterior proporciona ao país para se desenvolver.
Em resultado, desperdiçamos, perdemos espaços relevantes, estagnamos, ou até retrocedemos.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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