A intolerância -- política, religiosa e de gênero -- tem se transformado na principal motivação de inúmeros crimes contra toda a humanidade. Ditadores se perpetuam no poder à custa do cerceamento das liberdades individuais, causando atrocidades e genocídio. Grupos extremistas religiosos matam inocentes em nome de uma fé distorcida, que ensandece e tira a vida, de forma violenta, de inocentes. Grupos extremistas, religiosos e intolerantes continuam combatendo qualquer indivíduo homossexual ou transgênere, muitas vezes violentamente, causando mortes e ferimentos graves. Segrega-se por causa da raça, das posições e do comportamento. Mata-se por não se ter a mesma orientaão religiosa. Trucida-se por não se ter o mesmo pensamento político. A cada dia, no mundo, morre-se por questões de somenos importância. Ninguém é melhor -- ou superior -- a seu semelhante.
Que mundo é este no qual vivemos, onde terroristas atacam uma escola e matam centenas, a maioria estudantes, como ocorreu ontem no Paquistão? Que mundo é esse onde, em nome de um ser superior, centenas de meninas são sequestradas e abusadas, como fez o Boco Haram (grupo islâmico fundamentalista) na Nigéria? Que mundo é esse onde um presidente democraticamente eleito fecha órgãos de imprensa e prende jornalistas que ousaram denunciar casos de corrupção no governo, como Recep Tariyp Erdogan, na Turquia? Que mundo é esse onde um autoproclamado clérigo islâmico, já condenado pela Justiça, desequilibrado mental, invade um café e faz dezenas de reféns, como anteontem na Austrália?
Como se pode dizer que tantas atrocidades são cometidas em nome Deus (ou Alá ou Buda ou Jeová)? Qual democracia sobrevive diante da censura e perseguição aos órgãos de imprensa? Como poderemos viver com tranquilidade e segurança se as diferenças de raça, gênero e postura continuam provocando uma violência desmedida e inexplicável nos tempos de hoje? É este o mundo que ansiamos e sonhamos para os nossos descendentes? A intolerância começa a levar a humanidade para o buraco, rumo a um apocalipse, sem que tenhamos condições de reagir e colocar o planeta no rumo da paz. Estamos numa encruzilhada e não temos como decidir, de forma correta, qual caminho seguir?
Enquanto a violência grassa, perde-se a chance de legar aos que nos sucederão um mundo mais humano, pacífico e ordeiro. Enquanto a intolerância continuar dominando a política, a fé e as relações humanas, este objetivo fica cada vez mais distante. A cada dia nos esquecemos da máxima deixada por Jesus Cristo -- cujo aniversário se comemora no próximo dia 25 com banquetes e presentes mas não com uma necessária reflexão --, que é”’amar ao próximo como a si mesmo”. Se cada um empregar este ensinamento, seremos capazes de começar a mudar este jogo. Violência não se combate com violência, mas a paz é conseguida através de pequenos gestos cotidianos e ensinamentos legados às novas gerações. Será que conseguiremos chegar lá?
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