A situação dos acusados de integrarem a organização criminosa especializada em falsificar veneno se complicou ainda mais ontem. Eles deixaram a cadeia de Batatais e foram removidos para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. Três membros, entre eles o líder da quadrilha, já estavam no CDP desde segunda-feira, 8, por terem sido detidos em flagrante.
A mudança da cadeia, onde o “conforto” é maior, as regras menos rígidas e a companhia menos problemática, para o CDP é resultado da prisão preventiva decretada pela Justiça na última sexta-feira, 12. O CDP é o lugar onde ficam os presos provisórios, entre eles, traficantes, ladrões e autores de assassinatos, que aguardam julgamento. Em caso de condenação, a penitenciária é o próximo endereço. O acesso para advogados e visitas é limitado e os detentos têm que seguir exigências internas rigorosas. Ninguém entra sem passar por revista minuciosa e detector de metal, há horário para banho do sol, para comer e para ser recolhido à cela, conhecida internamente como “tranca”. O uso de uniforme é obrigatório. Também é preciso raspar a cabeça. O CDP de Franca tem cerca de 1.090 presos. A capacidade é de 847.
O advogado Reginaldo Carvalho, que representa 13 presos, afirmou que, para a defesa, a mudança de presídio é um fator positivo, pois evita deslocamentos até Batatais. Anteontem, ele ingressou com um pedido de revogação da prisão preventiva, que ainda não foi analisado pelo juiz responsável. “Precisamos da decisão negativa do juiz para entrar com o pedido de habeas corpus, mas está tudo parado. Sequer foi para o Ministério Público. Parece que não querem que o processe ande”.
A defesa corre contra o tempo. O Fórum entrará em recesso na sexta-feira, 19. Se a prisão preventiva não for revogada esta semana, os acusados vão passar as festas de fim de ano atrás das grades. “Tivemos acesso ao processo, mas não estamos conseguindo peticionar, pois as coisas estão paradas. Estou querendo ir para São Paulo amanhã (hoje) e falar diretamente com o desembargador no TJ (Tribunal de Justiça)”, finalizou o advogado.
A polícia ainda procura outros sete acusados que estão com a preventiva decretada e que são considerados foragidos. No primeiro dia, 24 pessoas foram presas, mas duas acabaram liberadas.
O Ministério Público informou que nenhum dos integrantes foi liberado pela Justiça desde então. A promotoria não havia pedido a preventiva de dois motoristas, mas a medida foi concedida mesmo assim.
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