Uma denúncia anônima levou a Polícia Militar a apreender mais de 300 galões com agrotóxicos falsificados em uma chácara, na rodovia João Traficante, no domingo. O imóvel estava vazio durante a ação e ninguém foi preso. As autoridades não têm dúvidas de que o local funcionava como uns dos laboratórios clandestinos da quadrilha presa no último dia 5.
Os galões de um e cinco litros foram encontrados dentro da chácara, localizada no Condomínio Campestre, próximo à divisa com Ibiraci. O imóvel apresentava sinais de abandono. A polícia, que precisou arrombar a porta para entrar, acredita que os moradores deixaram o local e não mais voltaram após a prisão de 24 pessoas durante a mega operação.
Além dos agrotóxicos falsificados, foram encontrados dentro da residência um misturador, que seria utilizado para a produção do veneno, e três caixas d’água usadas para o armazenamento do produto. O material foi recolhido e encaminhado para a cadeia do Jardim Guanabara, onde estão recolhidos os defensivos apreendidos no começo do mês. Após a perícia para se comprovar a falsificação, devem ser incinerados.
O proprietário da chácara disse aos policiais que um funcionário era o responsável pelo aluguel do imóvel e que ele não sabia quem eram os inquilinos. Na tarde de ontem, os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e a Polícia Civil confirmaram as suspeitas. O agrotóxico apreendido era mesmo da quadrilha. “O contrato de locação da chácara foi feito em nome de um dos líderes da organização criminosa, que foi preso durante a operação. É mais um elemento de prova que vamos juntar ao inquérito”, disse o promotor Rafael Piola. A ocorrência foi encaminhada para o 3º DP e a equipe do delegado Leopoldo Gomes Novais trabalha para tentar identificar os responsáveis pela produção do agrotóxico falso na chácara. É possível que novos indiciamentos sejam feitos.
O caso
A mega operação realizada pela Polícia Civil e Gaeco culminou na prisão da quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos. Foram apreendidos mais de 60 veículos, milhares de produtos usados na falsificação e armas de fogo, somando cerca de R$ 20 milhões. Seis laboratórios de produção e rotulagem foram fechados. O grupo era baseado em Franca, tinha ramificações em Ribeirão Preto, Igarapava e Araxá, e distribuía os produtos para ao menos sete estados. Segundo a polícia, os integrantes se organizaram para a produção, falsificação, rotulagem, embalagem, distribuição e venda de agrotóxicos.
Na sexta, a Justiça decretou a prisão preventiva de 20 envolvidos. Dois motoristas foram soltos no domingo, após o prazo da temporária vencer. Caso não haja nova decisão, os demais devem aguardar julgamento presos. A defesa vai ingressar com o pedido de soltura. A Justiça expediu 7 mandados de prisão contra acusados de integrarem a quadrilha. Eles estão foragidos.
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