Páginas em vermelho


| Tempo de leitura: 2 min
As páginas do Comércio, ano após ano, registram fatos que expõem a verdadeira inversão de valores à qual a sociedade brasileira em geral — e a francana, em particular — é submetida nos dias de hoje. Assassinatos brutais, que há poucas décadas eram exceção, hoje se tornaram banais. Agride-se, mutila-se e mata-se por nada. Nem as sociedades mais bárbaras, nos primórdios da civilização, registraram uma situação como a que vivemos na atualidade. Somente na última semana, dois fatos chocaram: em Franca, um filho matou o pai com oito facadas. No dia seguinte, em Buritizal, o pai matou o filho também a facadas e se suicidou em seguida. São fatos que não podem mais ser encarados como banais ou corriqueiros.
 
Quem lê o Comércio já percebeu: as páginas policiais ganharam espaço, diante da violência registrada na região no dia-a-dia, além de terem se tornado mais vermelho-sangue do que há poucos anos atrás. Até quando assistiremos impassíveis a esta escalada sem que encontremos eco às nossas preocupações junto aos legisladores e administradores públicos? Chegamos a um estágio preocupante, do qual não vemos qualquer remissão. Os fatos da semana ainda apontam para a falta de respeito, com grande desprezo pela vida humana e pela Justiça. A banalização da violência é um dos traços de nossa realidade atual, mas não há como se quedar diante deste quadro que desenha um futuro sombrio para a nossa civilização.
 
No caso registrado no complexo Aeroporto vê-se que os valores continuam sendo subvertidos e o consumo de drogas tem levado famílias inteiras para o buraco. E a esposa e mãe: perdeu o marido e o filho no mesmo dia? Como conseguirá viver com esta dor? Nada poderá consolá-la diante da tragédia que se abateu sobre ela. Já a ocorrência de Buritizal ainda não tem elementos para a sua compreensão. Só os dois, pai e filho mortos, poderiam dizer a razão para a barbárie. Ninguém sabe explicar o que poderia ter ocorrido na residência. Mortes assim surpreendem e, como em Franca, revoltam.
 
O brasileiro tem convivido, nas últimas décadas, com uma total inversão de valores: filhos ameaçam e atacam pais e irmãos, crianças matam em troca de um aparelho celular ou um par de tênis e a Justiça não dá uma resposta definitiva para quem se sente acuado, ameaçado e atacado dentro de seus lares. As páginas policiais continuarão se tingindo de rubro enquanto a legislação não mudar, acompanhando a evolução da própria sociedade. Um garoto de 16 anos, hoje, tem todas as condições de ser julgado e condenado por crimes graves. Não merece ser “contido” por poucos anos e depois ser devolvido à sociedade como se nada tivesse acontecido, independente do crime que cometeu. Penas mais duras, enfrentamento corajoso à criminalidade infanto-juvenil e o fim de uma série de benefícios que mantêm marginais violentos e implacáveis soltos nas ruas são imprescindíveis para trazer de volta a sensação segurança que o brasileiro perdeu nos últimos anos.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários