A identificação e prisão dos integrantes da quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos deixou em evidência uma sigla até então pouco conhecida de quem não acompanha de perto os bastidores do setor policial: Gaeco. A discrição e o sigilo, aliados ao trabalho de inteligência, são mesmo as características dos integrantes. Órgão do Ministério Público, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado tem como função a prevenção e a repressão das atividades de organizações criminosas no Estado. O foco é o combate a crimes como lavagem de dinheiro, roubo de cargas, tráfico de entorpecentes e os praticados contra a administração pública.
Atualmente, existem 14 núcleos de atuação distribuídos em todas as regiões do Estado de São Paulo. A criação do Gaeco de Franca foi autorizada pela Procuradoria Geral de Justiça em 2007. O começo das atividades se deu no ano seguinte. Franca foi escolhida para sediar uma regional devido à necessidade de se tornar mais enérgica e eficaz a resposta da promotoria diante do aumento da criminalidade organizada.
O Gaeco de Franca abrange outras 14 cidades da região e tem cerca de dez integrantes, sendo quatro promotores de Justiça. O grupo realiza investigações e operações em conjunto com as Polícias Civil e Militar. “Fazemos monitoramento constante dos mais diversos crimes por meio do nosso centro de inteligência. A atuação integrada e a troca de informações com as instituições têm possibilitado levar à Justiça muitos criminosos”, afirma um dos integrantes.
Somente na investigação do veneno falsificado, os promotores interceptaram 57.555 conversas entre os integrantes da quadrilha por meio de telefone, mensagens de celular e email. O rastreamento permitiu identificar desde os líderes até os motoristas responsáveis pela distribuição do agrotóxico.
Nos primeiros meses após a instalação em Franca, o trabalho do grupo começou a dar expressivos resultados. Em 2009, quatro vereadores de Igarapava foram presos acusados de tentar cobrar um “mensalinho” do então prefeito da cidade, Francisco Tadeu Molina. Acionados por meio de denúncia anônima, promotores do Gaeco gravaram e filmaram reuniões do grupo por 15 dias, o que resultou na expedição dos mandados de prisão contra os políticos.
Em 2011, uma ação conjunta dos promotores com a Polícia Militar possibilitou a prisão de integrantes de uma quadrilha de assaltantes que havia explodido dois caixas eletrônicos de bancos em Patrocínio Paulista. O cerco policial aos criminosos resultou em três mortes. Outros três assaltantes foram feridos e presos. No mesmo ano, o Ministério Público pediu a prisão preventiva e a suspensão das atividades profissionais de um médico anestesista acusado de dois crimes de estupro de vulnerável. Ele foi condenado a oito de reclusão em regime fechado. Por meio de investigação conduzida pelo Gaeco, uma servidora municipal foi condenada pelo Tribunal de Justiça acusada de fraudar licitações de móveis escolares. O grupo também mandou para a cadeia os principais líderes do PCC na cidade e ajudou a polícia a apreender grande quantidade de droga. Este ano, as ações integradas de promotores e policiais possibilitaram a prisão de 77 criminosos, dos quais 60 foram processados.

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