Familiares se encontram em Franca depois de 20 anos


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Emoção marcou o encontro de Maria Vitória Sesmilo com a tia Cesária das Dores, depois de mais de 20 anos de separação
Emoção marcou o encontro de Maria Vitória Sesmilo com a tia Cesária das Dores, depois de mais de 20 anos de separação
Uma separação de mais de duas décadas teve final feliz este semana em Franca. Por intermédio de uma publicação no Comércio, uma brasileira, moradora da Malásia, pode, finalmente, reencontrar seus familiares.
 
O reencontro, que começou a ser desenhado em 1995, só foi possível porque Maria Vitória Sesmilo, hoje com 55 anos, resolveu recorrer ao jornal para saber o paradeiro de uma tia e primos que moram em Franca.
 
Com a notícia, publicada em julho daquele ano, os familiares de Franca desta paranaense, que desde 1992 mora no país asiático, começaram a fazer os primeiros contatos. Há 19 anos a comunicação se dá por cartas, telefone e, mais recentemente, com a ajuda da internet.
 
No início da noite de terça-feira passada, todos os ocupantes da casa na rua Waldemar Vanini, no Jardim Europa, em Franca, estavam ansiosos para receber a visita que um dia antes tinha deixado a capital malaia, Kuala Lumpur, cidade com mais menos de 1,5 milhão de habitantes.
 
Nascida em Alvorada do Sul (PR), Maria Vitória mudou-se para São Paulo em 1985. A mãe havia morrido quando ela tinha apenas 10 meses de idade. Sempre ouviu o pai falar dos parentes que moravam em Franca, mas que ela nunca teve a oportunidade de conhecer.
 
Nessa época, ela já integrava a Associação das Famílias para a Paz Mundial, ou Igreja da Unificação pela Paz Mundial, fundada pelo líder religioso sul-coreano reverendo Moon, morto em setembro de 2012. Na entidade, participava de aulas de teatros em comunidades carentes e realizava trabalhos sociais. 
 
Em 1989, seguindo uma tradição da religião, foi participar de um casamento coletivo de 1275 casais na Coreia do Sul. O evento, disse Maria Vitória, reúne convidados do mundo inteiro e nele era tradição o próprio Moon determinar com quem cada missionário casaria. 
 
A igreja prepara os noivos para o casamento, embora, garanta ela, não sejam obrigados a se casar, e uma vez casados podem se separar caso a união não dê tão certo quanto o esperado. 
 
A missionária brasileira voltou noiva de um malaio. Depois, em meados de 1992, deixou definitivamente o País e seguiu para a Ásia, de onde só retornou nesta semana.
 
Família de Franca
Segundo Maria Vitória, o pai, que morreu pouco antes de ela ir embora, sempre havia falado dos familiares que tinham em Franca, motivo pelo qual ela procurou o Comércio para tentar encontrá-los. Aqui, a notícia veio certeira. Euripa Batista Ribeiro, prima de Maria Vitória, e Cesária das Dores, tia da missionária, viram a publicação e imediatamente entraram em contato. Nunca mais deixaram de se falar. Cesária tinha visto Maria Vitória uma única vez, quando a sobrinha tinha um ano de vida. ‘Saber onde estava, poder conversar, foi uma emoção muito grande, porque sempre procuramos por ela. Minha mãe chegou a acreditar que nunca saberia da Maria Vitória‘, comentou Euripa Ribeiro.
 
Por questões econômicas e a distância entre Brasil e Malásia, Maria Vitória não pôde vir antes. Na capital, ela trabalha como professora de uma criança autista e eventualmente dá aulas de português, atividade favorecida pelo, conforme afirmou, crescente interesse pelo Brasil. Também faz traduções de documentos para trabalhadores brasileiros que vão se estabelecer por lá.
 
Família da Malásia
Com três filhos - Max, Zack e Nicolle - que foram alfabetizados em malaio, mandarim e inglês, ela disse que se ressente de não tê-los ensinado o português. ‘Foi uma falha minha porque não pensei que eles pudessem querer, não pensei no futuro deles‘, disse ela com um português claro, mas já com sotaques dos idiomas que vem falando. 
 
Zack, o mais novo, com 15 anos, acompanhou Maria Vitória na viagem. Sem entender nada da língua da mãe, disse que está gostando do passeio. Max, o mais velho,  20 anos,  já está noivo de uma sul coreana, que também conheceu na igreja do reverendo Moon. ‘Estou muito feliz por ter conseguido voltar ao Brasil e encontrar minha tia. Quero aproveitar ao máximo‘, disse ela. ‘Fiz questão de trazer meu filho porque queria que ele conhecesse a outra parte da família. Nossa vida está conectada a eles aqui também‘.
 
De Franca, mãe e filho seguem domingo à noite para o Paraná. Lá vão se encontrar com parentes em Curitiba e depois com os quatro irmãos em Maringá. No dia 30, eles retornam à Malásia.

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