Após a onda de explosões de caixas eletrônicos registrada em cidades da região, e mais espeficamente duas delas ocorridas num curto período de 43 dias, o medo se instalou entre os moradores do edifício Cidade de Batatais, prédio de oito andares, no Centro da vizinha cidade.
O temor dos inquilinos é o de que bandidos escolham para um novo furto os caixas eletrônicos da agência do HSBC instalado no piso térreo do edifício, onde vivem 13 famílias, e que a explosão possa interferir na estrutura física no prédio.
Localizado na praça da igreja Matriz de Batatais, o prédio, que se sobressai na arquitetura predominantemente térrea da cidade, foi inaugurado em 1968 e sempre foi considerado um endereço prestigiado. Mas não é mais. A professora Maria da Graça Coutinho Rodrigues, 63, lamenta que o prazer de morar com segurança defronte uma das igrejas mais bonitas do Estado deu lugar ao pânico e desde que se tornaram mais frequentes os furtos a caixas eletrônicos na região.
O temor maior é que um possível uso de explosivos para um furto abale as estruturas do edifício, ou mesmo cause o desabamento do prédio. “Estamos com muito medo. Além disso, temos medo de balas perdidas. Num roubo que teve a poucos metros daqui, onde havia um caixa eletrônico que foi explodido, foi tiro para todos os lados, inclusive atiraram em direção ao prédio. Deitamos embaixo das camas para nos proteger”, disse.
Apesar de muito pouco se poder afirmar sobre os impactos, já que o poder de destruição dos explosivos clandestinos comumente usados pelas quadrilhas é desconhecido, a possiblidade de um desabamento tira o sono também de outros moradores, muitos deles idosos. Sogra da professora, Maria Mendes Nogueira Rodrigues, 94, sente ainda mais medo por morar no piso imediatamente acima da agência. Ela alterna os quartos em que dorme, em dúvida sobre qual ambiente seria menos afetado. Mesmo temor vive a idosa Odete Carvalho Coutinho, 89, que reside com a família no terceiro andar. Todos também se solidarizam com uma das moradoras do quinto andar que completou 103 anos de idade. “É unânime. Não queremos que fechem, apenas que mudem de lugar, pois vidas são mais importantes. Prédio residencial, há muito, não é mais lugar para banco”, disse Maria das Graças.
Laudo técnico
O receio dos moradores é endossado por um laudo técnico assinado pelo engenheiro Nelmo Mello Maia. O documento indica que há colunas de sustentação do prédio muito próximas aos caixas eletrônicos, o que não descarta que uma possível explosão culmine no desabamento do imóvel.
Diante da situação, a síndica do condomínio, Layse Maia, 75, disse ter procurado ajuda. “Buscamos apoio junto à ACE (Associação Comercial e Empresarial), que mandou uma carta ao banco pedindo providências, e também à Prefeitura. O prefeito, Eduardo Oliveira (PTB), nos apoia moralmente”, completou.
Uma reunião com representantes da Prefeitura, do condomínio e do HSBC está prevista para esta semana. “A partir de então saberemos quais caminhos percorrer. Queremos saber qual a posição deles, se pretendem se mudar ou ao menos retirar os caixas eletrônicos, que é o que mais queremos”, disse Layse.
Procurada pela reportagem, a gerente da agência batataense do HSBC disse não ter autorização para falar em nome da instituição. A assessoria de imprensa do banco, em São Paulo, enviou comunicado oficial, na noite de sexta-feira (12), que diz: “O HSBC informa que mantém um diálogo aberto com as partes envolvidas com o objetivo de chegar a um resultado satisfatório para todos”.
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