Deficientes visuais produzem brinquedos para doar no Natal


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Grupo da Sociedade dos Cegos participou de oficinas para confeccionar os brinquedos para as crianças da creche do Guanabara
Grupo da Sociedade dos Cegos participou de oficinas para confeccionar os brinquedos para as crianças da creche do Guanabara
Para estimular o potencial criativo e a solidariedade, a psicóloga da Sociedade dos Cegos, Alessandra de Faria e Sousa, resolveu propor uma ideia diferente para as pessoas atendidas na entidade realizarem no Natal deste ano. A profissional organizou uma oficina de brinquedos e tudo que os deficientes visuais produziram, será doado para crianças da creche Caminhos da Luz, no Jardim Guanabara. O resultado é que 55 crianças terão jogos de memória e travesseirinhos com motivos de animais como presentes nesse final de ano. 
 
‘Adaptei tudo que fosse possível para eles poderem fazer os trabalhos, focando na habilidade artesanal e na possibilidade de realizar algo diferente. E, claro, teve a motivação adicional, a questão do afeto, de querer presentear uma criança’, disse a psicóloga. Segundo ela, o grupo desenvolveu uma postura de responsabilidade e comprometimento na produção dos brinquedos, que durou cinco semanas.
 
O momento da entrega dos presentes também deverá ser especial para os papai-noéis da Sociedade. ‘É uma experiência diferente. Também pensei muito na novidade do barulho da creche, do fato de você não precisar ver as crianças para senti-las no ambiente, porque elas tem muita energia. A vida pulsa na creche’, disse a profissional.
 
A coordenadora da entidade, Cristina Alves Moreira, pontua que a iniciativa trouxe também a proposta de doar em vez de receber. ‘Queríamos trazer para eles a questão da produtividade e da criatividade artística. E escolhemos crianças porque é uma data comemorativa muito marcante na vida delas e muitas podem não ganhar um presente de Natal’.
 
A Sociedade já havia feito outra ação solidária no dia 9 de dezembro. ‘Um grupo fez uma apresentação cultural para 170 crianças na Creche Bom Pastor, do Aeroporto III, regada a pirulitos de chocolate. Foi um dia gostoso’, disse ela.
 
A coordenadora da creche Caminho da Luz, Rosana Previde, disse que adorou a ideia da Sociedade. ‘Achei muito interessante para as crianças e também porque é uma forma de inclusão’, disse.
 
Mão na massa
A oficina de brinquedos envolveu 15 portadores de deficiência. Entre eles está Jarbas Ricardo de Andrade, 61. ‘É um trabalho diferente, achei muito interessante poder ajudar e acho que as crianças vão ficar muito felizes e se divertir. Isso é o mais importante’, disse ele. Para outro participante da iniciativa, Odair Moreira Matos, 44, estar em contato com as crianças será uma experiência cheia de surpresas boas. ‘Vamos sentir a energia delas e todo esse clima de Natal, acho que as pessoas poderiam se amar e presentear o ano todo’, comentou. Além de ajudar, eles também se sentem bem por praticar a ação. ‘É bom para nós que sentimos que estamos fazendo alguma coisa útil e é bom para as crianças que vão receber os presentes. A ajuda é mútua’, comentou Maria Conceição Castro da Silva, 64.
 
As peças e os travesseiros foram adaptados para o artesanato. Nos travesseiros, os deficientes visuais fizeram o enchimento de capas decoradas. No caso dos jogos, eles colaram estampas diversas de EVA em um quadrado de papelão. A usuária Sumair Palheiro Souza, 48, auxiliou no recorte das peças, pois tem 1% de visão em um dos olhos.
 
A Sociedade
A Sociedade dos Cegos atende uma média de 100 deficientes visuais de todas as idades. Cerca de 50 pessoas frequentam assiduamente, o restante procura para atendimentos pontuais. O local oferece aulas de braile, informática, cartonagem, hidroginástica e do esporte golbol (uma espécie de futebol que usa uma bola com som). Além disso, realiza atendimentos com terapeutas, assistentes sociais e fisioterapeutas. Todo o serviço é gratuito.

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