Caracaraí


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No último domingo, o ‘Fantástico’, da TV Globo, apresentou reportagem sobre Caracaraí, cidade do Estado de Roraima classificada, após levantamento estatístico, como a mais violenta do Brasil. Segundo a reportagem, seu elevado índice de violência debita-se ao fato de alguns povos indígenas, principalmente os ianomâmis, matarem seus recém-nascidos que apresentem anormalidades, cabendo à mãe, segundo as tradições da tribo, praticar o infanticídio sob a alegação de que seriam onerosos e imprestáveis às atividades a que todos são obrigados. 
 
Não nos cabe discutir aspectos antropológicos indígenas, sabendo que a prática de exterminar crianças com deformidade não é novidade. Povos eslavos o praticavam, assim como índios da América do Norte, saltando-nos também à lembrança a cultura dos espartanos, bem como a prática chinesa de, entre 1,34 bilhões de habitantes, limitar o número de filhos por casal, cujos bebês femininos são sucessivamente abandonados à morte até que nasça um menino. É a dureza do coração humano a que se referia Jesus. 
 
É de triste memória mundial a preocupação com a eugenia que autoridade movida por ódio racial levou à morte milhões de pessoas defeituosas, longe de se dar conta de que anomalias físicas e mentais, na verdade, atendem à necessidade de o espírito depurar-se ante sua extremada vontade de resgatar os próprios débitos, que deseja ardentemente lançar no esquecimento. A Doutrina Espírita nos ensina que a causa de todo defeito humano, físico ou mental, está no psiquismo (alma), carregado de preocupação. 
 
Se aleijão advém de dívida para com a Lei, exterminar o aleijado do corpo ou da alma significa interromper vida desejada e buscada com determinação por alguém que, antes mesmo de nascer, já vivia e pensava. A lei não pune a pressão cultural nem a ignorância, e os espíritos prejudicados no seu propósito redentor saberão aguardar, suplicando nova oportunidade. 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 

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