De primeiro


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De primeiro, quem poderia imaginar a configuração atual da Praça Nossa Senhora da Conceição?
 
Historiadores relatam as transformações que se operaram no espaço que antes nada mais era que mato e, depois, campo aberto, destinado à pastagem de bovinos. Um desses estudiosos do passado francano, Wanderlei dos Santos, afirma que, em 1805, foi levantada naquele espaço a Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Tal capela existiu onde hoje se localiza a Casa Paroquial.
 
Em 1809, foi construída outra capela não muito distante da primeira, nas proximidades de onde hoje se localiza a Fonte Luminosa. Consta ainda que, em torno da nova igreja, os fazendeiros da região começaram a erguer casas que permaneciam fechadas a maior parte do tempo, haja vista que eles moravam em suas propriedades rurais. Assim elas eram abertas geralmente aos domingos, quando as famílias vinham ao comércio assistir à missa. 
 
Na época, as famílias enterravam seus mortos nas circunvizinhanças da capela. Por isso, tempos depois, quando se construiu a Fonte Luminosa, os trabalhadores encarregados da escavação encontraram grande quantidade de ossos no local.
 
No final do século XIX, quando se decidiu pela construção do atual prédio da igreja matriz da cidade, recorreu-se ao arquiteto italiano Carlos Zamboni, formado em Milão. Zamboni vivia em Batatais, era amigo de Cândido Portinari e foi o responsável pela elaboração dos projetos da igreja matriz de Franca e da de Batatais.
 
Ambas as igrejas começaram a ser levantadas na mesma época. Em Batatais, a construção foi acompanhada de perto pelo arquiteto o que não aconteceu em Franca.
 
A igreja matriz francana começou a ser levantada no ano de 1898 e foi inaugurada, embora inacabada, em 1913.
 
 Longe dos cuidados do projetista, os trabalhadores ergueram, então, duas fileiras de colunas que julgaram necessárias à sustentação do teto. 
 
Luiz Carlos Zamboni, filho do arquiteto, diz que seu pai ficou profundamente triste e chocado com as alterações que despersonalizaram seu projeto. 
 
À boca pequena, o que se diz é que o arquiteto, na festa de inauguração da igreja, adjetivou fortemente as nonas de sacerdotes e leigos indistintamente. Como a maioria dos presentes desconhecesse a língua de Dante Aliguieri, continuou parabenizando o italiano pelo soberbo trabalho.
 
Apesar dos desencontros, a construção foi concluída. Hoje a Catedral de Nossa Senhora da Conceição é cartão de visita e motivo de orgulho da cidade. 
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 
 

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