Há muito se diz que o Brasil não preserva a sua cultura ou a sua memória. O fim dos cinemas particulares, cujos prédios em sua maioria dão lugar, hoje, a igrejas evangélicas ou estacionamentos, como ocorreu em Franca, é clara demonstração de que as ações culturais (cinema, teatro e shows) perdem espaço, em termos de gastos da população brasileira, com investimentos em tecnologia, principalmente com telefones celulares. Não fossem os shopping centers com suas salas de cinema, a situação estaria bem pior.
Pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito)mostra que o brasileiro gasta, em média, R$ 104 por mês com conta de celular e de internet. O valor supera gastos mensais com acessórios de moda (R$ 71), shows, teatro e cinema (R$ 96) e produtos de beleza (R$ 82). O estudo captou o comportamento de compra das famílias brasileiras e mapeou quais produtos ou serviços são considerados necessários, supérfluos ou sonhos de consumo.
O estudo divulgado ontem aponta que 87% das pessoas que usam celular e acessam a internet consideram estes serviços necessários no dia a dia. Nas classes A e B a média de gasto nesse segmento sobe para R$ 115 e cai para R$ 98 nas classes C, D e E. Foram ouvidas 620 pessoas maiores de 18 anos em todas as 27 capitais brasileiras. Entre os itens considerados como necessários para a família brasileira, os maiores gastos de 2014 foram concentrados na compra de roupas, citada por metade dos consumidores, na conta de celular e de internet (30%) e na compra de calçados (30%). As maiores despesas classificadas como supérfluas foram concentradas em acessórios de moda (20%), ida a restaurantes chiques (17%) e a restaurantes frequentados com amigos e familiares no dia a dia (17%).
Este é o quadro vivido no Brasil de hoje, demonstrando que a cada dia eventos culturais vêm perdendo espaço diante dos avanços tecnológicos. Nosso País não estimula a leitura, as artes ou a música. O currículo escolar já não comporta matérias que possam levar o aluno, no futuro, a se interessar pela leitura, pelas artes plásticas e por música. Os grupos de leitura e jograis foram abandonados; poucas escolas contam com uma fanfarra ou banda; as aulas de educação artística acabaram. A cultura vem perdendo importância para redes sociais.
Com isso, a história do Brasil, contada através de livros, pinturas, esculturas e música, não encontra espaço nos dias de hoje, onde a maioria do que se consome é descartável. Poucas iniciativas do tipo, como as da ONG Academia das Artes (mantida pelo GCN e seus funcionários) e outras instituições não oficiais persistem. Na atualidade, poucos sabem que o Brasil teve grandes pintores (como Cândido Portinari, cuja memória ainda continua viva em razão da persistência de seus herdeiros; Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral), escritores que são mais referenciados fora daqui (como Machado de Assis) e até uma rica tradição musical. Abandonar a cultura pode levar o Brasil a perder-se, esquecendo o seu passado sem possuir qualquer perspectiva de futuro.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.