Depois da enchente registrada na tarde da última quarta-feira, 10, na avenida Alonso y Alonso, nas proximidades do viaduto “Dona Quita”, a Prefeitura de Franca anunciou ontem - mais uma vez - que pretende realizar obra de alargamento e aprofundamento do córrego Cubatão. A proposta é que os serviços sejam executados a partir de abril de 2015, com o fim do período de chuvas. Coincidência ou não, um ano depois da última previsão de construção. A obra deve consumir R$ 4,8 milhões e durar 90 dias.
Basta o córrego Cubatão transbordar para a Prefeitura prometer alargar o canal. E o período para início das obras é sempre o mesmo: após o período de chuvas. Foi assim em 2013, 2014 e, agora, para 2015. Mas o fato é que a polêmica do alargamento começou antes mesmo de o viaduto “Dona Quita” ficar pronto.
O então prefeito Sidnei Rocha (PSDB) tentou fazer um aditamento no contrato do pontilhão para que a obra fosse realizada, mas o Ministério Público, que acertadamente defendia uma nova licitação, abriu investigação e a Prefeitura desistiu da ideia. Na Câmara Municipal, uma Comissão Especial foi montada para investigar a construção do viaduto e, em depoimentos, engenheiros da Prefeitura reconheceram a falha, ao afirmar que as obras antienchentes deveriam ter sido realizadas antes de o pontilhão ser erguido.
O atual secretário de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, concorda com os engenheiros. Segundo ele, o problema ocorre devido à falta de um sistema de drenagem capaz de suportar as águas das chuvas. “Quando o viaduto foi construído, diversas bocas de lobo foram tampadas e não houve reposição correta desta drenagem. A água está caindo no lugar errado e nós precisamos conduzi-la de forma ordenada.”
Na tarde da última quarta, bastaram 40 minutos de chuva intensa para o córrego transbordar e a água invadir a avenida e dependências vizinhas.
A solução encontrada para acabar com as enchentes no local é realizar a drenagem das vias localizadas próximas ao córrego, tanto do lado esquerdo como do direito, e posteriormente, com os trabalhos concluídos, fazer o alargamento e aprofundamento do córrego. “Não fizemos antes, pois não havia dotação orçamentária. Agora estamos anexando as fotos e vídeos da enchente para buscar os recursos junto da Defesa Civil Estadual”, disse o secretário.
Caso o recurso não seja liberado, a Prefeitura tentará realizar a obra com verba própria. “Precisamos realizar a obra o mais rápido possível, antes da próxima temporada de chuvas e, quanto menos água tiver no canal, melhor será.”
De acordo com o projeto, o canal deverá ser alargado em torno de 4 metros e aprofundado em 80 centímetros ao longo de uma extensão de 175 metros. O trecho vai da avenida Sete de Setembro até a rua Doutor Marrey Júnior, ao lado do antigo prédio do Fórum.
A obra, porém, não será simples. Devido à existência dos pilares da ponte escantilhada e das colunas do pontilhão “Dona Quita”, o alargamento do canal não pode ultrapassar os oito metros de distância de uma margem a outra e o cuidado no local com a obra deverá ser redobrado.
Para que a vazão pudesse aumentar e não houvesse inundações, a ideia inicial era realizar um alargamento de 9 a 9,5 metros no trecho. Atualmente, o córrego tem 5,38 metros de largura.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.