Em viagem, chegando ao quilômetro 263 da Anhanguera, sentido interior-capital, observo, a cada época, que os eucaliptos estão lá, continuam lá. Ou enormes e cheirosos, ou cortados ou, aparentemente sem vida, para servirem à indústria de papel. Muitas vezes estão lá só na semente, mas sei que estão lá. Essa segurança repousa na sazonalidade da plantação, pois ela não é das árvores, é minha. Sei que estão lá!
Essa observação me levou a pensar que independente de como anda nossa vida, ela sempre recomeça, em nova oportunidades. Seja com um novo trabalho, uma nova família, um novo amanhecer, um novo ano, sim, uma nova vida. Muitas vezes, nos caminhos ainda não desbravados dessa nova vida, estamos altivos e fortes e muitas vezes, só no talo, mas estamos vivos!
Semente? Sempre tem uma ou duas ainda por florescer dentro de cada ser vivo. Vida sazonal, alternada, misteriosa, mas, simplesmente vida! Enquanto as sementes do que plantarmos germinarem, enquanto o regar for essencial, a vida terá rota, seu manejo, sua missão. Temos que cuidar para que a sazonalidade não nos extinga, que os cortes não nos matem, que nossa altura não nos apodreça. Um dia somos árvore frondosa, noutro somos toco e noutro ainda, haveremos de florescer.
Toda vez que por aquela região da rodovia Anhanguera eu transito, coloco-me a pensar nesses fatos relevantes. São divinos os seres que se reconstroem, sem saber por que ou quem os mutilou. O perdão é natural, físico.
Aquelas árvores são minhas amigas. Tenho certeza disso. Permitem-me sentir respeito e simpatia. Incentivam-me a podar e moldar, e permitir a mim mesma que me queira diferente. São uma bênção! Ao mesmo tempo em que a mudança me encanta, me encanta também saber que estão lá! Eucaliptos!!!
Sheyla Dutra
Presidente da FADA - Família Down e Amigos
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