Não é de hoje que os internautas têm sido alertados para os perigos que a Internet, principalmente as suas redes sociais, pode causar a pessoas e instituições. Uma vez postada, uma mentira acaba sendo replicada como verdade e prejudica o caluniado quase sempre de forma permanente, uma vez que a postagem, mesmo que deletada pelo seu responsável, continua circulando na rede em razão dos chamados ‘reposts’ e compartilhamentos. Os traços persistem e podem continuar destruindo a reputação e a moral das vítimas.
O mesmo ocorre com o chamado “ciberbullyng”, que já provocou o suicídio de jovens e adultos, em razão de postagens maldosas e desmoralizantes. Um boato disseminado pela Internet, principalmente nas redes sociais como Facebook e Twitter, funciona como um rastilho de pólvora impossível de impedir. Anos depois ainda continuam ativos no ciberespaço e prejudicando suas vítimas. Quaisquer ações policial e judicial, embora possam responsabilizar o seu autor, não é capaz de apagar completamente a postagem mentirosa.
A ação que causou prejuízos à Churrascaria Zebu, vítima de uma postagem caluniosa no Facebook de um empresário, terminou na polícia. O autor, Fabiano Siqueira, divulgou que a churrascaria teria sido fechada no dia 1º de outubro pela Vigilância Sanitária, em razão de estar servindo a seus clientes carnes e comida de procedência duvidosa. Foi o que bastou para que a mensagem fosse compartilhada como verdadeira, provocando comentários desabonadores e um grande prejuízo financeiro à tradicional churrascaria francana, que viu seus clientes se reduzirem.
Diante da mentira, o proprietário da Zebu, Jaime Luiz Prezotto, procurou a polícia e prestou queixa. Rapidamente foi descoberto que Fabiano se achava credor do estabelecimento e, como não recebeu a quantia que esperava, resolveu se vingar. Não procurou as vias legais, mas sim a calúnia que causou prejuízos no movimento da churrascaria. Esta é mais uma demonstração de que nem tudo o que está na Internet, principalmente nas redes sociais e blogs, é verdade. Antes de compartilhar ou comentar, é preciso que o internauta use o discernimento e busque informações a respeito. Se não há dados em portais noticiosos, ligados a um veículo de informação sério, não passa de boato ou mentira.
Caso ocorresse um fato grave como o anunciado por Fabiano, dificilmente teria deixado de ser publicado pelo Comércio ou outros jornais e rádios locais. As páginas da Internet estão cheias de teorias da conspiração e de tentativas de negar fatos históricos, como o holocausto judeu na Segunda Guerra Mundial. Por isso, não se deve acreditar em tudo o que se lê na rede. Caso contrário, por motivos que variam e quase sempre estão ligados à vingança ou inveja, pessoas e entes, comerciais ou não, continuarão sendo atingidos sem que tenham chance de apagar os traços destas postagens verdadeiramente criminosas. A Internet, embora seja um instrumento poderoso e útil, reunindo um grande volume do conhecimento humano, caso seja usada de forma errada provocar estrago muito difícil de recuperar.
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