Com o caso da Petrobras — maior empresa brasileira — repercutindo no mundo todo, a revista inglesa The Economist levantou, na última semana, séria e preocupante questão: qual é o futuro das empresas estatais? A Petrobras representa o problema mais significativo, mais sério, dada sua magnitude, mas não é o único.
Os bancos chineses também se encontram na lista das empresas problemáticas de propriedade do Estado, pois continuam reportando lucros exagerados que não refletem a realidade dos fatos. Na Rússia, na Índia e até no Vietnã afloram problemas com o capitalismo de Estado. No mundo todo, entre as 500 maiores empresas, as de propriedade estatal perderam entre 33 e 37% de seus valores em dólares, desde 2007.
Aqui no Brasil, além da Petrobras, temos outros gigantes nas mãos do Estado, a exemplo da Eletrobras e Infraero, e algumas outras no nível estadual que enfrentam sério dilema: qual é o real objeto da atuação de cada uma delas? O bem comum ou os acionistas? Para quem elas trabalham, afinal? Esta é a indagação que se propõe nos dias atuais e sobre a qual, nós brasileiros, devemos nos debruçar.
Lá pelos anos 40 e 50, na falta de interesse ou mesmo de capital no setor privado para investir em setores estratégicos, achava-se que o Estado era, como foi, a solução econômica — e também política, com base em ideias nacionalistas. Aliás, são os casos da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e da própria Petrobrás, surgida, em parte, da campanha ‘o petróleo é nosso’.
Os tempos mudaram, mas o dilema permanece. Como aconteceu na telefonia com a Siderbras, e com a Vale, é provável que o bem comum se favoreça com privatização e eficiente sistema de regulação da qualidade dos produtos, dos serviços e da gestão. A destruição de valor do patrimônio construído com o sacrifício de muitos não pode continuar. É preciso pensar no Brasil dos nossos netos. É hora de mudança!
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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