Teatro conta histórias de sapateiros em duas peças gratuitas


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A peça Sola Gasta retrata a dura realidade de milhares de sapateiros que trabalham nas indústrias de Franca
A peça Sola Gasta retrata a dura realidade de milhares de sapateiros que trabalham nas indústrias de Franca
Duas peças de teatro estreiam hoje em Franca com acesso totalmente gratuito. Uma delas é Sola Gasta, da Companhia Terceira Imagem, que conta a história de vida de sapateiros da cidade. O outro projeto é do grupo Coletivo Garrafa Verde com a peça Cartas pra ninguém, que fala do tempo.
 
A peça Sola Gasta será apresentada hoje e amanhã no Senac a partir das 20 horas e na sexta-feira às 16 horas na Casa da Cultura. O acesso é gratuito e a classificação é de dez anos Segundo os produtores, a peça tem como objetivo retratar a história da vida dos trabalhadores das indústrias de calçados. “Transformamos  depoimentos em vozes a serem ouvidas e entendidas. Compondo um clima de seriedade e ao mesmo tempo de humor, Sola Gasta traz doses de crítica, simbologia, a dureza e leveza da vida e seus sonhos”, disse Elisa do Nascimento, uma das atrizes da companhia. 
 
O projeto é uma ideia antiga do diretor Tiago de Paula com a intenção de mostrar e incluir as histórias não contadas dos sapateiros.
 
O processo da criação da peça durou cerca de seis meses,  com intensificação nas pesquisas, construção e adaptação dos personagens.  “Fomos para as ruas de diferentes áreas da cidade onde existem fábricas de calçado. Pedimos que os funcionários falassem de sonhos, da vida e do que esperam do seu futuro e do de seus filhos. Foi muito rico, pois nós conseguimos ter acesso a diferentes idades, personalidades e nos permitiu crescermos muito para o processo”, disse Elisa. 
 
“A obra traz à tona a realidade de quatro personagens, mostrando suas individualidades e conflitos vividos dentro das fábricas e fora delas também. Como vieram parar aqui e pra onde será que irão? Essas perguntas são respondidas a cada cena que mostra como é o dia a dia de cada um e de uma cidade inteira ao mesmo tempo”, disse Jhon Maoli, ator e produtor da peça.
 
Com direção de Tiago de Paula, dramaturgia de Gabriel Fernandes, cenário e figurino de Aline Velasco e Karolyne Marchetti, tem atuação de Elisa Mantovani, Luana Cardoso, Jhon Maoli e Victor Serafim.

MAIS TEATRO
A peça Cartas pra ninguém é realização do Coletivo Garrafa Verde, que traz em sua sinopse, o tempo que não para. “O tempo só afeta aquilo que vê ou toca. Cartas não endereçadas são ditas pelos atores que trazem a cena histórias verdadeiras, inventadas, coletadas em asilos e transformadas em música, dança e teatro para serem contadas a ninguém. Há uma idade em que se ensina o que se sabe. É fato que o tempo passa, mas precisamos tomar conhecimento de sua passagem? Seria melhor o tempo passar, enquanto nós passamos pelas coisas e as coisas passam pelo tempo”, disse Rafael Bougleux, dramaturgo.
 
Para criar a peça, o grupo visitou asilos com a pergunta: “Que história você me daria?”. A partir das respostas a peça foi montada permitindo aos atores o desafio de trazer por meio do corpo, da voz, da dança e da música, suas potencialidades teatrais. “Os depoimentos foram determinantes na criação da narrativa do espetáculo que se pautou em identificar as temáticas e situações típicas do universo da terceira idade. A direção propôs uma concepção dialética para construção das cenas, através do jogo entre a interpretação, o verdadeiro e o fictício, entre a dramatização das histórias e sua não representação”, disse o diretor da peça, Marcelo Ribeiro.
 
Hoje a peça será apresentada no Teatro de Bolso às 16 e às 20 horas. Amanhã, às 16 horas no Lar de Ofélia e às 20h30 na Unesp. Na sexta-feira, a encenação será às 20 horas no Ipra (Ponto de Cultura). O acesso é gratuito e a classificação é livre.
 
A peça Cartas para ninguém conta com direção de Marcelo Ribeiro, dramaturgia de Rafael Bougleux, figurino e cenário de Maurício Donizete. Trará em seu elenco de atuação, Arthur Ferraz, Elaine Narcizo, Gabriel Lima, Jéssica Moussa e Lucas Spineli.

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