Sou cartunista. Cartunistas são críticos sociais, olhar treinado para a piada. Uso meu conceito de “cartum” também para tratar texto, vídeo, podcast e, até mesmo, palestras. Publiquei post esta semana cartum sobre “Segurança dá gravata em senhora de 79 anos”, um MMA com segurança dando um mata leão em idosa, no Congresso Nacional. Cena absurda e exagerada, por isso, ótimo cartum.
Construi o post passo a passo. Como usar o ‘mata leão’ sem incorrer em inverdade? Escolhi “Segurança prepara mata leão em senhora de 79 anos.” É menos enfático mas leva a atitude truculenta ao campo do ridículo. Próximo passo: quem era a senhora. Seu nome é Ruth Gomes de Sá. Protestava contra manobras na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Aí veio a super provocação: a OAB faria nota indignada? A ministra dos direitos humanos? Claro que não. Só se dona Ruth fosse ligada a movimento das esquerdas. Meu post, então, ficou assim: “Segurança do Congresso prepara mata-leão numa senhora de 79 anos que protestava contra manobra governista. Ficou por isso mesmo. Imagine se essa senhora fosse da esquerda!”. Ridículo, excessivo. Um cartum.
Esperei pelas reações, já que é aí que me divirto. Foram 2152 curtidas, 224 comentários, mais de 1700 compartilhamentos. Muitos indignados, mas outros, pensaram, o que era minha intenção. O sujeito lê “segurança prepara mata leão” e entende “segurança aplica mata leão”. Outro questiona: como sei que a senhora não é de esquerda? Foca no acessório, deixa de lado o principal: a truculência.
Meus posts, textos, podcasts e palestras são parte de minha profissão. Penso sempre como dar um nó na cabeça das pessoas. A ironia é pensada, exagero, ilustração e reticências também. Se você não achou graça, foi contra ou a favor, não importa, desde que não fique indiferente e pense! Quem lê e não pensa, corre o risco de fazer papel de bobo.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante e, cartunista!
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