A estudante Ângela Oliveira, de 18 anos, aluna do curso de curtimento da Escola Técnica Estadual “Carmelino Corrêa Jr.”, o Colégio Agrícola de Franca, foi premiada na tarde do último sábado pelo programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Ela encerrou a edição deste ano do quadro Jovens Inventores. Por ter criado a pele artificial humana, recebeu como reconhecimento o prêmio de R$ 29,5 mil.
Ângela, que mora em Claraval (MG), contou no palco da atração como nasceu a ideia de produzir a pele artificial. Segundo ela, tudo começou quando seu pai que trabalha em um curtume narrou um acidente com ácido que deixou um colega de trabalho com 90% do corpo queimado e as dificuldades que o amigo estava enfrentando no tratamento. “Em 2013, surgiu a ideia de desenvolver uma pele artificial a partir dos resíduos dos curtumes. Pesquisando, descobrimos que a pele do porco é 78% compatível com a humana”, disse a professora e orientadora da pesquisa Joana D’arc Félix, que também compareceu ao programa.
As duas trabalharam por cerca de um ano até chegar à versão final da pele artificial em 2013. Pelo processo criado, a pele do porco passa por uma purificação em que todo o material genético associado ao animal (células, proteínas degradadas e gorduras) é eliminado, formando uma matriz “limpa”, mas ainda muito frágil.
Após a purificação, que é feita com a utilização de uma espécie de centrífuga por oito horas, é injetado o colágeno extraído do resíduo de couro bovino para fortalecer a estrutura do material.
“É como se completássemos o espaço antes ocupado pelas impurezas. O resultado é uma pele com 100% de compatibilidade. A pele ainda não começou a ser testada em humanos, mas a ideia é que ela possa ser usada no tratamento de pessoas vítimas de queimaduras ou com problemas na pele.”
Mais um prêmio
Além da premiação recebida no Caldeirão do Huck, o projeto ainda rendeu à professora Joana D’Arc Félix o prêmio Kurt Politzer de Tecnologia, na última sexta-feira, no 19º Encontro Anual da Indústria Química. Joana leciona no Colégio Agrícola de Franca e foi escolhida entre outros 71 pesquisadores. A professora concorreu com o trabalho “Pele humana para transplantes e testes farmacológicos”. Ela recebeu um troféu e R$ 5 mil.
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