Os francanos devem em empréstimos e financiamentos R$ 2,99 bilhões. O estoque de crédito concedido a moradores e empresas da cidade registrou um crescimento de 5% em agosto deste ano, último mês do levantamento, em relação ao mesmo mês de 2013. O aumento em Franca superou a evolução no Estado de São Paulo (3,7%) e no Brasil (1,7%).
As informações são de um relatório do Centro de Pesquisas em Economia Regional da Fundace (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia). O coordenador dos estudos foi o economista Luciano Nakabashi.
As operações envolvem financiamentos para compra de casas e automóveis, por exemplo. A avaliação também compreende empréstimos e títulos descontados, que se referem a um adiantamento de dinheiro feito pelo banco em que há o desconto de uma taxa pela instituição bancária. A maioria desses títulos é relativa a pessoas jurídicas.
De acordo com o boletim, o agronegócio e o setor imobiliário são os únicos que cresceram em Franca. Juntos, eles somam R$ 1,4 bilhão, sendo o setor imobiliário com maior valor - R$ 982 milhões - e o de agronegócio, o que mais cresceu em relação ao ano passado, com um aumento de 21,2%.
“Os recursos que vão para financiamento do agronegócio e para o setor imobiliário em nível nacional tem puxado para cima o crédito nos municípios”, disse o coordenador da pesquisa.
O valor direcionado para esses setores no Brasil, de acordo com o relatório, é de 52,9% do total de crédito disponível.
Já os empréstimos, títulos descontados e financiamentos gerais caíram em relação a agosto do ano passado. “Esses índices negativos estão provavelmente relacionados a quedas na economia. Se o setor privado está mal, os bancos vão ficar mais deficientes nos empréstimos”, explicou Nakabashi.
O economista considera o montante das operações de crédito na cidade “razoável”, porém, considera que a tendência para o ano que vem não é de aumento. “A economia está andando devagar e está perto do limite da capacidade de endividamento”, pontuou. Segundo ele, o estímulo da demanda via crédito vem perdendo o fôlego pelo endividamento das famílias e empresas e pela diminuição da renda.
Imóveis
Para o economista Hélio Braga Filho, o que justifica os números positivos do setor imobiliário é a oferta de imóveis, que ainda é bem expressiva na cidade. “Apesar de o setor de construção civil estar meio enfraquecido, ainda temos essa oferta alta e o incentivo do governo nessa categoria”, disse.
A sapateira Joice Cristina Nunes, 30, é uma das pessoas que contribuíram para o número de financiamentos imobiliários aumentar. Ela financiou a casa própria há um ano. “Vou pagar em 30 anos. Antes morava de aluguel, agora pago parcelas de R$ 640 na minha casa”, disse a sapateira. Esse é o primeiro financiamento que Joice fez, pois queria sair do aluguel que pagava há quatro anos. “Agora pago o dobro do aluguel, mas é uma coisa que sei que é minha”, disse a sapateira, que mora com o marido e o filho.
O designer gráfico Fernando Aleixo Camevari, 26, também fez um financiamento para conseguir comprar o apartamento onde mora. “Fechei um financiamento em outubro, antes pagava aluguel que era caro e agora tenho uma coisa minha. Então, compensou”, disse o designer.
Segundo o gerente administrativo de uma imobiliária da cidade, Murilo Campos, mais de 90% das comercializações são feitas por financiamentos. “A oferta no ramo imobiliário está forte para todas as classes sociais.”
Agronegócio
Em relação ao agronegócio, o economista Hélio Braga Filho aponta o café como o produto de maior destaque em Franca. A participação do grão nas operações de crédito é explicada pelo diretor da cooperativa Sicoob/Credicocapec, Divino de Carvalho Garcia. Segundo ele, o preço do café teve uma recuperação de 2013 para 2014, também houve uma expansão da área de plantio e uma maior demanda por crédito de estocagem. Os financiamentos também possibilitam um investimento no setor e o custeio das despesas de produção.
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