A Prefeitura Municipal, agora na administração Alexandre Ferreira (PSDB), praticamente fechou todos os canais de comunicação com a população francana. Encastelado no Paço Municipal, certamente o chefe do Executivo pode achar que se basta, mas precisa ouvir aqueles que lhe deram o mandato para direcionar as suas ações de governo. A partir do momento em que a administração se cala e se omite, os problemas se multiplicam. No final, sofrem os moradores, que não sabem a quem recorrer e sentem na pele a distância entre os administradores públicos e os que vivem no município.
É o que vem acontecendo com a coleta seletiva em nossa cidade. Vivemos numa época em que o apelo para a reciclagem se torna cada vez mais premente, diante das respostas nada amistosas que a natureza vem dando às intervenções do ser humano no meio ambiente. A impermeabilização do solo com o avanço dos centros urbanos já cobra a conta: a estiagem recorde que atingiu o Estado de São Paulo, nos últimos meses, é uma prova disso. As enchentes, em épocas de chuvas, também. O descarte de material passível de reciclagem torna-se imprescindível para pelo menos se tentar buscar a reversão da possibilidade de um futuro apocalíptico.
Nos últimos anos, a coleta de lixo em Franca passa por problemas, praticamente todos eles noticiados pelo Comércio, com repercussão nos jornalísticos da rádio Difusora e nos posts do Portal GCN. O descarte de materiais recicláveis, como plástico, vidro e papel, precisa se dar de forma diversa do lixo orgânico. Mas não é isso que vem acontecendo em Franca: moradores de diversos pontos da cidade reclamam que o serviço especializado não passa ou então deixa de recolher material. Estranha-se que a empresa responsável, Seleta Preservação Ambiental, mesmo dizendo acompanhar as reclamações, não tenha tomado uma providência. E muito menos a Prefeitura, que tem o dever de acompanhar o trabalho das suas concessionárias e permissionárias (o mesmo ocorre em relação ao transporte urbano). Não se pode deixar qualquer serviço, pago com o dinheiro do contribuinte, sem fiscalização ou controle. E nem abandonar os munícipes à própria sorte.
Não há informações a respeito da coleta seletiva, não há campanhas elucidativas e muito menos um estímulo para cooperativas de reciclagem em nosso município, que poderia auxiliar um grande número de famílias francanas que vivem na linha da pobreza. Em outras cidades não acontece assim: as cooperativas reúnem não apenas catadores de materiais, mas também a empresa responsável pela coleta seletiva e trabalhadores organizados que selecionam e separam o material recebido. Falta ao prefeito pulso firme para fazer funcionar os serviços oferecidos ao francano da forma como deve ser. Porém, enquanto ele se mantiver fechado no Paço Municipal, refratário a críticas e aos anseios da comunidade cujos destinos dirige, dificilmente estes problemas cotidianos serão resolvidos em sua gestão.
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