Orando. É desta forma que muitas das detentas da Cadeia Feminina de Franca têm passado as tardes de sábado. Há quatro anos membros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Missão realizam encontros no local com o objetivo de levar uma palavra de conforto através das leituras da Bíblia. O grupo leva bandas, peças de teatro e outras atividades para reforçar as pregações. As detentas respondem com carinho. A emoção é uma marca desses encontros, onde lágrimas e palavras de agradecimento surgem a todo momento. Em alguns casos, o resultado vai além do conforto nesse momento difícil e algumas delas buscam a igreja mesmo após cumprirem a pena.
O trabalho realizado na cadeia é liderado pelo membro da Igreja Assembleia de Deus do Jardim Palma, Celso Alberto Penha Júnior, 24 anos. “O motivo maior que me impulsiona a realizar este trabalho é devido ao fato da minha mãe ser ex-presidiária. Graças a Deus minha casa foi restaurada. Quero que elas sintam a mesma felicidade que eu. Se conseguir passar isto para uma família que seja, o trabalho já vale a pena.’
Os cultos têm duas horas de duração. De acordo com Celso, nas pregações o tema família sempre tem destaque. “Tentamos mostrar para elas que a família é a nossa igreja maior. Se a família estiver bem você estará bem na sociedade, na igreja, em todos os lugares.”
Sempre que a administração da cadeia autoriza, o grupo incluiu bandas gospel no encontro. Peças de teatro também são realizadas e cartas, escritas à mão por membros da Igreja, são distribuídas. “As cartas levam uma palavra de carinho, de solidariedade. Procuramos mostrar que elas não estão esquecidas, principalmente, por Jesus.”
A cadeia tem mais de 130 detentas e muitas não são de Franca e recebem poucas visitas. Com a aproximação do Natal, o grupo organiza cestas pensando, principalmente, nestas detentas. “No ano passado conseguimos 126 cestas de Natal. Muitas delas não recebem visitas e ficam esquecidas. Nestas datas tentamos levar alguma coisa.”
Com o passar do tempo, o grupo começou a colher os frutos do trabalho na cadeia. Durante os encontros, algumas detentas demonstraram, segundo Celso, interesse de participar mais das pregações. “Algumas estão em todos os cultos. Para estas, doamos uma bíblia, um livro e passamos a visitar suas famílias. Cada lágrima que eu vejo delas é um ânimo a mais para nós. É saber que há pessoas interessadas.”
Há casos de detentas que procuram a igreja depois de cumprirem a pena. Hoje, a Assembleia de Deus do Jardim Palmas tem seis famílias de ex-presidiárias como membros. “Mantemos o trabalho de orientação, visitamos a família, e tentamos ajudar espiritualmente e financeiramente, pagando uma conta de água ou doando uma cesta básica. É recompensador ver este trabalho dando resultado”, concluiu.
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