Lar São Camilo de Lellis: um casamento diferente


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Os noivos Renato e Paula posam felizes para a foto oficial com os seus convidados de honra
Os noivos Renato e Paula posam felizes para a foto oficial com os seus convidados de honra
Teve madrinha de honra, bolo, refrigerantes e salgadinhos. Teve música romântica com violino e teclado, fotografias, padrinhos e choro. Mas Paula queria uma festa de casamento diferente. Com Renato, o noivo, resolveu dar a si mesma de presente uma cerimônia que pudesse ser presenciada por pessoas especiais, a sua segunda família.
 
O casamento no civil, realizado ontem no Lar São Camilo de Lellis, no Jardim São Luiz, em Franca, reuniu parentes, amigos e pelo menos 30 internos, a maioria idosos, todos em maior ou menor graus dependentes dos cuidados que recebem dos profissionais da instituição.
 
Foram posicionados na frente da mesa onde o casal repetiria juras de amor. Estavam todos bem vestidos, com seus vestidos, colares, as melhores camisas, todos ansiosos para o começo daquela que era uma ocasião no mínimo diferente. A maquiagem preparada para a ocasião não impediu que muitas das senhoras se derretessem em lágrimas. Maria da Glória foi uma delas. Disse que ficou emocionada.
 
Paula Flor de Luna e Renato Silva chegaram ao lar por volta das 17h40. Não havia nenhuma decoração extra no salão ou qualquer pompa que geralmente marcam esse tipo de evento. O mais importante eram os idosos que Paula, como pedagoga da instituição há dois anos, cuida, ampara e diverte.
 
Mesmo antes que a juíza de casamento Ana Célia Nascimento Borges começasse a ler as primeiras palavras do texto que reconhece legalmente casados os noivos, muita gente já estava com os olhos marejados. Para tantos ali, era uma comemoração inusitada, simples, mas cheia de significado.
 
Os idosos e internos atendidos pela instituição estão, em sua maioria, na base da pirâmide social, com situação de extrema vulnerabilidade. São 70 pessoas atendidas em casa por cuidadores que passam parte do dia oferecendo serviços que podem ser um banho, um atendimento de saúde, uma companhia.
 
Outros 45 são recebidos na sede da instituição e lá passam o dia inteiro, entre segundas e sextas-feiras. A São Camilo de Lellis não é um asilo ou lar que funcione dentro dos moldes conhecidos, com internação e permanência indefinida, mas um lugar onde as famílias levam os internos pela manhã e os buscam no final da tarde. 
 
Recebem atendimento a partir de uma equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogas, terapeutas e pedagogas. Esta é a função de Paula.
 
O casamento com a participação de seus velhinhos - alguns não tão velhinhos assim - foi uma forma declarada de retribuir a convivência diária e o aprendizado que ocorre certamente em mão dupla. Vai o cuidado de quem é mais jovem, volta o ensinamento de quem já viveu muito e hoje precisa de amparo para suas tarefas e funções diárias.
 
A festa de Paula e Renato foi dividida em dois tempos, dois dias diferentes. O religioso só será feito no dia 13, nada que pareça ser um problema. “Eu quis muito dedicar essa data a eles. É o dia deles também”, disse Paula, pouco antes de jogar o buquê de flores para uma pequena plateia. Havia muita gente de olho no arranjo, que foi direto para as mãos de uma moça bonita de cabelos vermelhos. 

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