Reeleito no primeiro turno para o quarto mandato como governador, com 12,2 milhões de votos, Geraldo Alckmin (PSDB), 62, veio a Franca, no último sábado, vistoriar obras de duplicação que estão sendo feitas em rodovias. Também visitou a sede do GCN e concedeu esta entrevista exclusiva aos jornalistas Joelma Ospedal e Edson Arantes. Fez um balanço das ações desenvolvidas na cidade e falou dos desafios para o novo governo que se inicia no dia 1º de janeiro.
Nas eleições de outubro, o senhor só não foi o mais votado em Hortolândia. Como explica a ampla preferência do eleitorado paulista pelo seu nome?
Nossa palavra é de agradecimento pela grande confiança. Acho que é quase um fato histórico você, em 645 municípios, ser vitorioso em 644. Isto só aumenta a nossa responsabilidade. É com humildade e responsabilidade que vamos trabalhar de maneira redobrada para o desenvolvimento de São Paulo, priorizando o crescimento, emprego, qualidade de vida da população e austeridade na gestão da administração pública. É uma alegria grande vir a Franca na semana do aniversário, quando Franca completa 190 anos. É uma das melhores cidades brasileiras, Franca é uma cidade industrial, que tem agronegócio importante, serviços de qualidade, localização privilegiada, clima maravilhoso e hospitalidade.
Os serviços de duplicação das rodovias estão de acordo com o previsto?
Vamos entregar as duas obras, rigorosamente, dentro do cronograma. Em junho do ano que vem, a duplicação da Fábio Talarico, são 6,5 quilômetros na saída de Franca e, depois, terceiras faixas e acostamento passando por São Joaquim da Barra até chegar na Rodovia Assis Chateaubriand, até Guaíra. Já tínhamos feito o trecho de Minas Gerais até Itirapuã. Em seguida, vamos entregar as melhorias da Cândido Portinari. Fizemos o trecho lá na serra de Rifaina, onde tinha aquela curva muito perigosa, com acidentes gravíssimos. Agora, vamos duplicar até Jeriquara. A obra precisa ficar pronta até setembro de 2015. Também vamos com terceiras faixas até Rifaina. Estas duas obras, entre o que já foi feito e o que hoje está em obra, somam R$ 370 milhões de investimento na região. Isto gera muito emprego na construção civil, evita acidentes e contribui para o desenvolvimento. Uma auto estrada atrai empresas, negócios, oportunidades e empreendedorismo. Eu diria que são obras estruturantes para a região. Também investimos R$ 7,8 milhões no aeroporto, temos investimentos importantes na Saúde consolidando a Santa Casa como hospital estruturante. Só este ano vai dar R$ 26 milhões só para custeio que estamos colocando para ampliar o atendimento do SUS. Temos aqui o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e teremos o segundo no ano que vem que é o AME cirúrgico, além da ressonância magnética.
Franca está há seis anos sem voos regulares no aeroporto. O governo tem como auxiliar na vinda de empresas aéreas para a cidade?
Acho que podemos ajudar. Claro que o fator determinante é passageiros. Se você tem um número bom de passageiros, as empresas têm interesse. Aeroporto novo, terminal novo, cidade importante são atrativos, mas é preciso verificar os melhores horários e a demanda. Está sendo votado no Congresso Nacional o novo plano de aviação regional que prevê subsídio para a aviação regional. Acredito que podemos unir a demanda da cidade e da região, este subsídio que pode vir e a boa estrutura oferecida pelo aeroporto.
Qual será a prioridade do novo governo que se inicia em janeiro?
A prioridade será a prioridade do povo, quem manda é a população. Qual foi o recado das urnas? A população quer serviço público de qualidade. Saúde em primeiro lugar. Saúde é, hoje, o grande desafio. O Brasil, que era um País jovem, hoje é um País maduro, caminhando para ser um País idoso. É muito bom a gente poder viver mais e com boa qualidade de vida. Só que a medicina ficou sofisticada, ficou cara e o governo federal saiu do financiamento, ele que participava com 60% do financiamento do SUS, hoje, é pouco mais de 40%. Isto sobrecarrega as prefeituras e os estados. Estamos fazendo obrigação que é federal, estamos complementando a tabela SUS. Este ano, estamos colocando R$ 635 milhões em recursos do Estado para não deixar as Santas Casas fecharem. A prioridade é serviço público de qualidade. Temos que garantir saúde de qualidade gratuita para a população.
A outra prioridade é a Educação. Neste setor, destacaria o nosso trabalho do ensino infantil com as prefeituras. As creches são uma necessidade. De outro lado, vamos continuar promovendo a educação para o trabalho, com Etecs, Fatecs e Via Rápida. Precisamos possibilitar aos jovens, a todas as idades, terem salários melhores, se qualificar para o mercado de trabalho.
Do outro lado, a segurança pública, que é o grande desafio da América Latina. A América Latina tem 8% da população do mundo e 30% dos assassinatos. É uma epidemia. O Brasil tem 26 homicídios por 100 mil habitantes. Nós, em São Paulo, que não estamos satisfeitos, temos 10. Somos o estado que tem menor índice de homicídio no Brasil, o único estado que atende à Organização Mundial de Saúde, e queremos reduzir para menos de 10. Vamos fazer um grande investimento na área de segurança pública.
Outra prioridade será o desenvolvimento. O Brasil precisa crescer, gerar emprego, renda, oportunidade, fortalecer a agricultura, mercado e acordos comerciais. Sempre tenho dito que o Brasil ficou caro antes de ficar rico. O País saiu das grandes cadeias produtivas internacionais, o que é muito ruim. As pessoas vêem para cá só para aproveitar o mercado interno. Por isto que o PIB está zero. É preciso fazer reformas estruturantes, reformas políticas, tributária, fiscal e judiciária. O Brasil tem 100 milhões de processos e 200 milhões de habitantes. É o País inteiro litigando entre si, tudo vai para a Justiça. Temos um projeto de lei na Assembleia Legislativa que, se Deus quiser a gente aprova ainda este ano, para a gente pagar o mediador. Já temos um trabalho de mediação, mas é voluntário. A ideia é pagar o mediador para a gente desentupir um pouco a Justiça, dar agilidade e reduzir custos.
Durante a campanha eleitoral, o GCN promoveu a série de sabatinas com os candidatos e o sistema de “progressão continuada” adotado em seu governo foi muito criticada. Há chance de revisão?
Gostaria de aproveitar a oportunidade para explicar. A Lei de Diretrizes Básicas da Educação, que é federal, diz que nos primeiros anos do ensino fundamental você dever evitar reprovação. Não acredito que em nenhuma escola uma criança no primeiro ano seja reprovada. É importante esclarecer que se a criança falta, ela é reprovada todo ano. Agora, se ela vai à escola, porque não está aprendendo? O que se faz na pedagogia no mundo inteiro? Você dá um reforço, como acontece com o filho do rico. A reprovação deve ser evitada porque o aluno fica mais velho do que a turma, o que leva ao abandono da escola. A evasão é a pior coisa. A criança não pode ser a responsável pela dificuldade da escola. A escola é que tem que ajudar. Temos ajudado e os resultados são bons. O que modificamos? O ensino fundamental era de oito anos e dois ciclos. Você reprovava no quarto ano do primeiro ciclo e no oitavo ano do segundo ciclo. Agora, o ensino fundamental tem nove anos e três ciclos. Você reprova no terceiro, no sexto e no nono. Reprova, também, todos os anos por falta. O fato dele repetir um ano, não significa que ele vai melhorar. O objetivo é que ele aprenda. Então, é reforço à tarde, reforço nas férias, acompanhamento. A progressão foi implantada pelo educador Paulo Freire. Estamos aperfeiçoando.
Qual sua avaliação sobre a nova equipe econômica anunciada pela presidente Dilma?
Sou de oposição, o meu partido vai fazer oposição. Oposição é necessária. É tão patriótico você ser governo quanto ser oposição. Um bom governo até se aproveita da crítica e das propostas da oposição. Mas, vou ajudar porque o Brasil precisa crescer, precisamos ser parceiros. Espero que vá bem. O que aconteceu este ano? O Brasil sempre teve superávit primário, ou seja, o que arrecada e o que gasta, sobra um pouco, sem contar o que paga de juros. Só que, agora, tem déficit primário: o que arrecada não paga nem o que já gastou. Não é possível uma situação fiscal tão frouxa como esta. É preciso apertar a questão fiscal até para ter juros menor e o País poder crescer mais.
No âmbito estadual o que pode ser feito para acelerar a economia?
As três políticas são federais: câmbio, juros e política fiscal. No que nos compete, estamos investindo em infra-estrutura e logística. Quando duplicamos rodovias, estamos reduzindo custos. Estamos investindo em hidrovias, ferrovias, dutovia e acesso aos portos. Outra ação importante é a educação para o trabalho, recursos humanos. Estamos investindo R$ 1 bilhão por ano em pesquisa e inovação e estamos reduzindo a carga tributária para aliviar o setor produtivo e estimular a produção.
Quando o senhor começa a montar a sua nova equipe de governo? Chamará algum deputado eleito?
Será agora no meio de dezembro. Não vamos substituir todos os secretários, mas vamos fazer mais um ajustezinho, temos sempre que fazer mais e melhor com menos dinheiro. Pode ser que a gente chame algum deputado, sim. Tentaremos reduzir um pouco as estruturas de governo.
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