Ditadura da beleza


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Nos últimos tempos, temos acompanhado com extrema preocupação uma série de notícias dando conta de que jovens se submetem a procedimentos criminosos em busca da beleza e da perfeição. Quantas pessoas há, neste mundo, que não tenham sofrido transformações tão radicais que ficam totalmente descaracterizadas? Alguns vão se modificando à luz dos holofotes e dos flashes, como o falecido Michael Jackson, que em seus últimos anos de vida já não lembrava mais o garoto afro americano (como pede o politicamente correto) que surgiu como um furacão na década de 1970 ao lado dos irmãos no Jackson Five. Recentemente, a atriz Renée Zellweger apareceu completamente irreconhecível, bem diferente de quando fez sucesso com “O Diário de Bridget Jones”. Ela reconheceu que fez intervenções estéticas.
 
Não se entende, ainda, o que leva pessoas a aceitarem modificações extremas na própria aparência. A ciência médica, principalmente a psiquiatria, explica alguns transtornos. Nas últimas décadas, cresceu o número dos que correm atrás da beleza, dos que perseguem o corpo perfeito, esculpido em músculos. O inconformismo com a própria aparência acaba levando a atitudes extremas, que sequer levam em consideração os altos preços cobrados pelos cirurgiões plásticos. O caso de Andressa Urach, internada em razão da aplicação de um produto químico nas pernas, é emblemático. A modelo-apresentadora permanece ainda em estado grave, mas atualmente sem correr risco de morrer.
 
Há cerca de um mês uma mulher morreu depois de receber aplicação do mesmo produto, procedimento efetuado por uma mera “curiosa”. E vários outros casos como este já ocorreram, sendo que houve quem se submetesse à aplicação de silicone líquido ou até de cimento. Quem assim procede perde a saúde, o futuro e até a própria vida, relevando qualquer tipo de perigo. Há jovens que injetam substâncias inapropriadas, até anabolizantes proibidos, buscando um corpo ‘bombado’ e musculoso. Muitos sabem que o procedimento é ilegal e perigoso, mas se deixam levar pelo anseio de um corpo dito “perfeito”. Neste cenário não se pode ignorar os que estimulam estas intervenções, lucrando com a infelicidade alheia. Cirurgias corretivas são bem vindas, ao contrário de drásticas modificações corporais.
 
O grande problema, hoje, é que a ditadura da beleza causa um estrago muito grande, principalmente entre jovens, que desenvolvem distúrbios alimentares como bulimia e anorexia. A beleza não está na perfeição das formas e dos músculos. Está nos olhos de quem vê e no conjunto. Na Idade Média, formas mais cheias e arredondadas eram consideradas ideais e perfeitas; mulheres muito magras eram vistas como doentes. Hoje, gordura em excesso, já está comprovado, é o estopim para várias doenças. Viver acima ou abaixo do peso não é recomendável. Deve-se, sim, buscar uma vida saudável, mas desaconselha-se qualquer exagero. Colocar a vida em risco por questões estéticas revela uma dupla doença. Da parte do indivíduo que persegue um padrão estético. E da sociedade que parece exigi-lo a todos, em acintoso desrespeito às individualidades. 
 
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