Uma mega operação, realizada em conjunto pela Polícia Civil de Franca e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), culminou na prisão de uma quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos. Foram presas 24 pessoas, incluindo os seis líderes, e apreendidos mais de 60 veículos, entre caminhões, carreta, um Camaro amarelo, caminhonetes de luxo, uma lancha, dois jet skis, milhares de produtos usados na falsificação e cinco armas de fogo.
Russo foi preso dentro de cisterna; entenda
Russo foi preso dentro de cisterna; entenda
As apreensões somaram cerca de R$ 20 milhões. Duas ruas próximas ao 3º DP foram fechadas para abrigar os produtos recolhidos. Seis laboratórios de produção e rotulagem foram fechados. O grupo era baseado em Franca, tinha ramificações em Ribeirão Preto, Igarapava e Araxá-MG, e distribuía os produtos para ao menos sete estados. “Dizimamos uma estrutura empresarial especializada na geração de lucro ilícito”, afirmou o delegado Leopoldo Novaes, responsável pela investigação.
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Segundo o policial, os integrantes se organizaram para a produção, falsificação, rotulagem, embalagem, distribuição e venda de agrotóxicos. A operação deflagrada durante a madrugada foi o desfecho de uma investigação iniciada há cinco meses. Policiais e promotores usaram escutas telefônicas, cabos de fibra ótica e até drones para monitorar a rotina da quadrilha em Franca e cidades da região como Cristais Paulista.
Foram identificados desde o líder até os responsáveis pelo transporte. “Era uma estrutura hierárquica extremamente organizada com subdivisões e tarefas envolvendo até a logística de transportes através de caminhões do produto falsificado com o único objetivo de enriquecimento ilícito. Alguns de seus integrantes não sabiam da existência física do chefe”, contou o delegado.
Em outubro, os policiais do 3º Distrito Policial realizaram duas grandes apreensões de agrotóxicos falsificados. Os produtos estavam avaliados em pelo menos R$ 6 milhões. “Mesmo sabendo que era investigada, a quadrilha não se acomodou e continuou agindo, o que comprova como era bem estruturada”, disse Leopoldo Novaes. Na oportunidade, os investigadores usaram a estratégia de não fazer prisões e continuaram monitorando o bando até identificar todos os integrantes e reunir provas.
Na madrugada de ontem, 154 policiais e os promotores Cláudio Watanabe Escavassini, Rafael Piola, Paulo Radunz e Alex Pires cumpriram 50 mandados de busca, apreensão e prisão. Só de prisão, foram expedidas 31 ordens judiciais. Vinte e quatro acusados foram presos (sete ainda são procurados) durante as buscas feitas em casas de luxo, estacionamentos de veículos, condomínios e chácaras. Dois suspeitos, entre eles uma grávida de oito meses, foram liberados após prestarem depoimento. “No cenário nacional, se não foi a maior, pode ser considerada uma das maiores operações direcionadas ao combate de produção clandestina de agrotóxicos falsificados. Foi a maior quantidade de apreensões de veículos e prisões efetivas de integrantes de uma perigosa organização criminosa que atuava no cenário nacional tendo como base Franca”, afirmou o delegado.
Com o dinheiro proveniente da falsificação, os integrantes da quadrilha compravam veículos, imóveis e investiam em empresas alimentícias. Também tinha empresas fantasmas abertas para produção e geração de notas fiscais falsas. As autoridades afirmaram que o grupo obtinha um lucro exacerbado, superior ao gerado pelo tráfico de drogas. “Não temos valor exato da movimentação financeira mensal, mas encontramos diversas notas fiscais de valores entre R$ 60 mil e R$ 300 mil. Cada uma das vendas era na base destes valores. Somando-se as vendas mensais para diversos estados a gente pode concluir que eles, realmente, movimentavam milhões de reais por mês”, disse o promotor Paulo Radunz.
Os acusados não tiveram nomes divulgados. Eles passaram o dia presos no 3º DP e 22 foram levados, no começo da noite de ontem, para a cadeia do Jardim Guanabara. Vão responder por integrarem organização criminosa, falsificação de documentos públicos e particulares, falsificação de agrotóxico e crime ambiental.
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