Velosom: o som nosso de cada dia; comerciante tem cerca de 20 mil discos


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Em meio aos seus milhares de itens, o DJ à moda antiga Veloso diz que valoriza a qualidade do som e a potência. ‘Hoje em dia muitos só querem barulho’
Em meio aos seus milhares de itens, o DJ à moda antiga Veloso diz que valoriza a qualidade do som e a potência. ‘Hoje em dia muitos só querem barulho’
Uma pequena loja no centro da cidade chama atenção pelo volume de caixas e produtos que ocupam quase todo o espaço do local. O corredor estreito do interior da loja é quase um túnel do tempo que resulta em um acervo de cerca de 20 mil discos de vinil, 3 mil CDs e 200 peças de aparelhos de som. O local compra, vende e troca esses itens.
 
O nome do estabelecimento une o sobrenome do dono com sua grande paixão: o som. No cartão de visitas, Paulo César Veloso, 58, demonstra o quanto o tema é essencial em sua vida. “Velosom: o som nosso de cada dia” é a frase escrita. O empreendimento é de onde Veloso tira seu sustento. Ele abre o local às 8 horas e fecha às 18 horas. “Sou envolvido com som desde 1974. Fazia bailes, música em escolas e nas cidades vizinhas. Ficava muito tempo na estrada, aí quando casei, peguei o que tinha e montei a loja, isso faz 20 anos”, conta Veloso. O comerciante já era um colecionador. Ele tem cerca de 5 mil vinis e 3 mil compactos.
 
O DJ à moda antiga copiava os discos em fitas e gostava de ser detalhista. “Hoje em dia, muitos DJs usam programas e computadores e não se importam com a qualidade da música, só querem barulho. Eu gostava de gravar, escutar, consertar o que não ficou bom para depois jogar para o público”.
 
Para ele, o consumidor também se importa muitas vezes com a aparência dos sons modernos e deixa a qualidade e potência de lado. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, entre os clientes da loja não estão apenas aqueles que querem recordar os ritmos do passado. “Aqui vem um menino de 12 anos comprar vinis de música sertaneja”, conta o proprietário.
 
Geralmente as pessoas trazem o som que querem vender ou trocar na loja ou fotografam o produto. “Muitas pessoas compram aparelhos novos, vendem o antigo para mim e depois se arrependem”, conta Veloso.
 
Sobre os discos, Veloso diz que tem na loja produtos difíceis de serem achados no mercado como o do grupo de rock Emerson, Lake & Palmer. Os vinis de rock internacional são os mais procurados pelos clientes, como do Black Sabbath e Iron Maiden, junto com os raros da música sertaneja como das duplas Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha e Inhana. “No início do meu negócio era melhor, agora ainda está bem, mas não é como na geração vinil que parou por volta de 1994”, disse Veloso. 
 
Com o tempo, apesar de não ter mais alguns itens raros ou especiais, ele conseguiu diversificar a loja. Pelo estabelecimento já passaram obras como o 1º disco dos Mutantes e o famoso Álbum Branco dos Beatles. Em sua coleção pessoal uma das raridades é o 1º LP do Roberto Carlos, chamado Louco por você. “Acho o disco ruim, mas é uma obra rara”, disse Veloso. O tipo é música preferido pelo comerciante é a romântica. 
 
A paixão acalentada pelo som ao longo de décadas ficou de herança para o filho de Veloso. Braian Garrito Veloso, 22, decidiu fazer faculdade de música e toca guitarra e violão. Certamente, dará continuidade à história do pai com a música, os discos e os aparelhos. 

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