Família busca na Justiça tratamento para menino de 6 anos no HC-RP


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A dona de casa Giseli Velasco, com o filho Alisson, que teve a consulta marcada no Hospital das Clínicas para a próxima segunda
A dona de casa Giseli Velasco, com o filho Alisson, que teve a consulta marcada no Hospital das Clínicas para a próxima segunda
Moradora em uma pequena travessa do Jardim Palma, a família de Alisson Velasco Dias, de 6 anos, trava uma luta judicial para que a criança tenha acesso imediato a um tratamento ortopédico no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto. Diagnosticado com uma neurofibromatose no primeiro ano de vida, o garoto tem sofrido com a atrofia de sua perna esquerda, que hoje apresenta uma curvatura acentuada. “Ele sente muita dor e a cada dia que passa dá para ver que a perna está mais torta”, disse a mãe, Giseli Velasco, que mesmo com uma decisão judicial a seu favor encontra entraves para agendar a consulta no hospital de Ribeirão.
 
A dificuldade vem de um impasse entre o DRS-8 (Departamento Regional de Saúde) e o Hospital das Clínicas. Enquanto o primeiro afirma, segundo Giseli, que a decisão judicial favorável a Alisson foi encaminhada ao HC para o início imediato do tratamento, o segundo teria afirmado a ela que o documento jamais foi recebido. 
 
“Enquanto esse papel fica perdido, meu filho continua com dores. A ordem judicial chegou ao DRS no dia 3 de novembro e até agora o HC diz que não recebeu. Na tarde de ontem (segunda-feira) fui até o Fórum para ver o que podia ser feito e o DRS ficou de me dar uma resposta até hoje (terça-feira). Caso contrário, a situação pode se tornar um processo e gerar multa, porque não estão cumprindo uma ordem judicial”, disse Giseli.
 
Ainda de acordo com a mãe, Alisson recebe tratamento relacionado à área genética da neurofibromatose no próprio HC. No entanto, ao ser solicitado o atendimento ortopédico, teria encontrado data para exames apenas para março do próximo ano. 
 
“Tentei agendamento no meio deste ano e essa espera, de quase um ano, foi o motivo que me fez procurar a Justiça. A gente não podia esperar; passo a noite massageando a perna do Alisson para que ele consiga dormir. Nem me manter no emprego eu pude, porque ele é muito dependente.”
 
O DRS-8 e o Hospital das Clínicas foram contatados para comentar o caso. Em nota, o primeiro confirmou o recebimento da ordem judicial no dia 3 de novembro e disse ter tomado “todas as medidas burocráticas necessárias, encaminhando o pedido de adiantamento de consulta para o Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto no dia 10 de novembro”. Ainda em nota foi informado que uma consulta foi agendada para Alisson às 12h30 desta segunda-feira, 8, no Hospital das Clínicas - informação confirmada pela mãe. O HC, por sua vez, não se manifestou.
 
Rotina
Enquanto esteve na casa onde Alisson vive, a reportagem se deparou com um menino bastante ativo. Em menos de meia hora, correu atrás de seus cães, jogou videogame e descobriu na geladeira o seu próprio almoço, que se propôs a aquecer sem a ajuda da mãe. “Alisson, isso você não pode”, foi advertido.
 
Espontaneamente, o pequeno de 6 anos começou a narrar sua rotina na escola e em família. “A professora não deixa, por causa da minha perna, eu brincar muito na educação física, mas eu chuto a bola e brinco de pique mesmo assim!”, disse quando perguntado se Papai Noel o colocaria na lista de bons meninos este ano. “Eu pedi para ele um carrinho e um helicóptero de controle remoto.” 
 
Ainda sobre o que gosta de fazer, ele contou que assiste ao avô jogando bola com os primos e que sente muita vontade de participar. “Me corta o coração, porque ele não pode! Quando ele usava a órtese que o médico indicou, eu ainda deixava mas, desde que a perna dele entortou desta forma, a órtese não se encaixa”, disse a mãe. “Uma vez cheguei a dizer a ele que se ele cair e quebrar a perna vai direto para a cadeira de rodas, mas ele não entende... Só me respondeu: aí você me compra uma, mamãe”, contou Giseli ao secar as lágrimas.
 

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