Política!


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Refleti, e por bom tempo, antes de contar o que agora conto. Se não digo, permaneço como todos os outros que também não dizem, e esse, penso, é o principal problema deste Brasil da atualidade. Menos de três meses antes do primeiro turno das eleições deste ano, conversando com uma microempresária do comercio, ouvi frase carregada de irritação no melhor (ou pior) estilo do ‘não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. Política não me interessa, é tudo uma corja de ladrões, farinhas do mesmo saco’. Não bastasse isso, proferiu meia dúzia de impropérios contra a Presidente da República.
 
Esta parece ter sido a postura dos 37 milhões de brasileiros que se abstiveram de ajudar a decidir o pleito deste ano. Aí estão os germes de duas ideias perniciosas: primeiro o de que ‘meu voto não faz a menor diferença’; o segundo, de que o sistema e as pessoas envolvidas estão todos irremediavelmente corrompidos.
 
Se saídas da cabeça de qualquer cidadão essas afirmações já seriam dignas de ser combatidas, quando partem da dona de um mercadinho que, pela sua presença num bairro residencial populoso, constitui-se numa formadora de opinião, são estarrecedoras. Ainda mais quando pensamos no quão desafiador é para um empreendedor gerir seu negócio em nosso país.
 
Em primeiro lugar é preciso convencer-se de que há, sim, gente na política capaz de agir com honestidade e competência. Para que os identifiquemos, porém, é necessário acreditar no poder do meu voto somado aos de todos. Para que isso ocorra, antes de tudo é preciso sair dessa vidinha acomodada de quem não corre atrás de informações.
 
Ao invés de gastar horas na frente das redes sociais postando piadinhas e trivialidades, o cidadão brasileiro tem que se dispor a pesquisar o histórico dos candidatos, suas propostas, programas de governo dos partidos... É preciso vencer a cultura de ir ‘tocando a vida e se sobrar algum pra cervejinha do fim de semana já tá bom’. Até por que, enquanto agimos assim, outros estão escolhendo alguém e, consequentemente, decidindo por nós.
 
Ronaldo Pereira da Silva
Vendedor, cidadão
 

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