Há pouco tempo já dizíamos, aqui neste mesmo espaço, que os desdobramentos da Operação Lava Jato estavam tirando o sono de muita gente. As declarações que os dois únicos — até então — delatores do esquema que funcionava na Petrobras já estavam colocando gente graúda na berlinda, por causa da distribuição de propinas pelas empreiteiras que prestavam serviços à maior estatal brasileira. Agora, depois das manifestações do ex-diretor Paulo Roberto Costa à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), que apura os desvios na petroleira, e de novos depoimentos à Justiça Federal, no âmbito das delações premiadas, vê-se que estávamos certos.
Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, afirmou à CPMI que o esquema que funcionava na estatal se repetia nas obras públicas de todo o País, passando por ferrovias, aeroportos, portos, estradas e usinas hidrelétricas. Além disso, ressaltou, dezenas de parlamentares recebiam o dinheiro da corrupção, garantindo ainda ter provas de todas as suas afirmações. Não se estranha a manifestação do primeiro delator da Operação Lava Jato a respeito das fraudes em obras públicas: há alguns anos o TCU (Tribunal de Contas da União) vem alertando para sobrepreço neste tipo de empreendimento, o que chegou até a ocorrer em arenas construídas para a Copa do Mundo. Poucas obras públicas no País são concluídas pelo valor apresentado inicialmente, com uma série de aditivos que elevam em duas ou três vezes (muitas vezes até mais do que isso) o preço acordado em contrato.
Agora, mais um delator da Lava Jato, Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, afirmou à Polícia Federal, em depoimento prestado no dia 29 de outubro, como parte do acordo de delação firmado pelo executivo com o Ministério Público, que parte das propinas pagas no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras era recebida como doação oficial para o PT. Além disso, a propina vinha de remessas destinadas ao Exterior. Parte dela era paga também em dinheiro vivo.
O PT, como vem fazendo desde o início da Lava Jato, nega que tenha recebido propina ou dinheiro desviado por fraudes, garantindo que todas as suas campanhas são financiadas por doações legais, de acordo com a legislação. Diante desta nova informação, não basta repetir a mesma frase. Terá que explicar as doações que recebe desde a campanha presidencial de 2010, que deu o primeiro mandato à presidente Dilma Rousseff. Como os testemunhos das delações premiadas precisam ser corroborados com provas documentais (e Paulo Roberto Costa garante que as têm), o escândalo do ‘Petrolão’ deverá envolver muito mais gente do que o mensalão, que mandou para a cadeia empresários, ex-ministros e ex-deputados. A cada dia que passa o esquema da Petrobras se torna mais amplo e complexo, envolvendo somas altíssimas e empresas responsáveis por grandes obras não apenas no Brasil mas em outros países. Diante das provas, que certamente virão à luz com o encerramento do processo, o Partido dos Trabalhadores e as outras agremiações citadas até aqui, como PP e PMDB, terão muito o que explicar.
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