Mudança de rumo


| Tempo de leitura: 2 min
A Presidência da República anunciou, na semana passada, os novos componentes da equipe econômica. Fato corriqueiro e normal em nações com instituições consolidadas, sobretudo quando os escolhidos reúnem qualidades para tanto. A indicação evidencia três aspectos sobre os quais é interessante ponderar: o mais sério é a mudança de rumo; o outro, a autonomia a ser dada aos novos titulares e o último, a inusitada situação que vivem os atuais ministros. 
 
A mudança de orientação representa o fracasso de condução da economia nos últimos quatro anos. As contas públicas são o exemplo mais contundente da gestão temerária imposta ao erário. Gastamos mais do que arrecadamos e gastamos mal. Dos poucos investimentos, muitos sequer foram concluídos. Com as desonerações seletivas mais os gastos excessivos em despesas correntes, o resultado só podia ser déficit. A balança comercial é deficitária e a inflação é sério problema a afligir os brasileiros. Apesar dos estímulos para o consumo e dos incentivos a setores escolhidos, a economia como um todo não cresceu.
 
Com novos rumos, parece que vamos deixar de lado o (falso) ufanismo e o faz-de-conta que a soberba amplia. Subsiste séria questão: a presidente vai continuar a ser, também, ministra? Os novos titulares trabalharão com liberdade a ponto de fazer a economia entrar nos eixos e voltar a crescer? A propósito de autonomia e liberdade lembrei-me de Graciliano Ramos e de seu Memórias do Cárcere, onde afirmou que de ‘liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estritos limites que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer’. 
 
Por fim, a esdrúxula situação vivida pelos atuais e futuros ministros é original. Aqueles, despachando em seus gabinetes, e estes, no palácio presidencial. Qual é, na verdade, a autoridade dos atuais? Diga-me você, caro leitor.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários