Finalmente, vemos, a partir da escolha da nova equipe econômica, espaço maior de mídia ser destinado a expectativas de futuro e não aos criminosos esquemas de propina e roubalheira do dinheiro público revelados pela Lava-Jato e de outros malfeitos perpetrados por governantes, políticos, lobistas, empreiteiros e espertalhões de diferentes espécies. Menos pior. O país não pode se concentrar só nos registros dos maus exemplos. Preocupa, entretanto, a voracidade dos aliados no fatiamento do governo. Infelizmente, vão a ministérios e postos-chave não os competentes, mas sim, o que reuniram mais apoio e cabos eleitorais.
No presidencialismo a soberania de decisão é do presidente, mas, na prática brasileira, ele sofre pressões para agasalhar quem cobra a conta eleitoral. Caso contrário, terá seus projetos barrados no parlamento. Então, loteia, cria e divide ministérios e cargos. Mudar essa servidão do governante — presidente, governadores e até prefeitos — deveria ser o básico da reforma política, mas, infelizmente há poucas esperanças: quem deve aprovar as mudanças indispensáveis são os próprios interessados...
Outro ponto de vital importância da reforma é o financiamento e custeio de campanhas eleitorais. É preciso encontrar formas lícitas de obter recursos. Se já existissem teríamos evitado os mensalões, as propinas e tudo o mais que hoje mancha a classe política. Todos, afinal, justificam ‘que desviam dinheiro público para custear campanhas e partidos...’
Que a presidente e os governadores tenham mais liberdade (e inteligência) para constituir equipes que os auxiliarão a partir de 1º de janeiro. Que escolham os melhores.
Nem por isso, falcatruas e crimes — mesmo que a mídia tire os olhos deste foco — deixem de ser apurados e seus responsáveis rigorosamente punidos. A maior reforma que este país tem que fazer é afastar ladrões e aproveitadores que se infiltram nas estruturas do poder e sangram recursos que deveriam ser aplicados em benefício da população.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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