Resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) passa de 20 para 25 o limite mínimo de aulas práticas para alunos que desejarem tirar carteira de habilitação. A resolução, que entrou em vigor ontem, vale apenas para quem se habilitar à categoria “B”. Embora, diante do grande número de motoristas habilitados mas inábeis que circulam por nossas ruas, se possa esperar que a medida vá permitir uma melhor formação dos motoristas brasileiros, especialistas consideram que um maior número de aulas não será capaz de melhorar a qualidade dos condutores. Alguns instrutores acreditam que há quem tenha mais aptidão para a direção e outros menos; por isso, o limite de aulas deveria ser determinado pelo próprio candidato.
Vê-se que, mais uma vez, o consumidor irá arcar com a mudança: o preço final para se tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vai subir, e isto vem ocorrendo desde as primeiras providências determinadas pelo Contran, há mais de uma década. Com a implantação dos CFMs (Centros de Formação dos Motoristas), o preço subiu. Depois, com a exigência de simuladores, aconteceu de novo. E, agora, com o limite mínimo de aulas, o bolso do brasileiro vai sentir. Enquanto não se encontram outras formas de melhorar o trânsito no País (e elas passam por leis mais rígidas contra motoristas infratores e veículos mais seguros), a situação não deverá mudar.
A forma como os condutores são instruídos, hoje, é falha. Em outros países, como os Estados Unidos, a formação de motoristas começa no ensino fundamental. Muitas vezes, eles aprendem a dirigir com algum professor destinado para tal ou com os próprios familiares. Não há autoescolas ou mesmo centros de formação, o que torna a habilitação bem mais barata, agilizando o processo. Aqui no Brasil, poucos instrutores se preocupam em colocar os seus alunos em situações reais de tráfego. A legislação não permite que eles sejam instruídos transitando por rodovias. Aprendem o básico e recebem dicas que lhes permitam passar, de forma mecânica, pelos exames de aptidão.
É preciso que as aulas, tanto práticas quanto teóricas, sejam mais efetivas. Quem tira uma nova CNH precisa dominar não apenas as regras das leis de trânsito, mas também o veículo que irá assumir. Caso não seja assim, sem qualquer intimidade com a direção responsável os novos condutores serão jogados dentro de uma realidade para a qual não foram treinados. Com as ruas abarrotadas, trânsito difícil e muitos veículos inseguros, seria como permitir que eles aprendessem, na prática, o que deveriam saber quando receberam a sua habilitação. Por isso ainda temos muitos condutores que agem de forma temerária, tornando-se um perigo não apenas para si mas também para terceiros, sejam eles motoristas, motociclistas ou pedestres. Fazem do carro uma arma mortal e, quando causam algum acidente fatal, não são penalizados com rigor. Quem dirige de forma imprudente, assume o risco de matar e precisa ser responsabilizado por isso. Algo precisa ser feito para mudar este triste panorama que vemos hoje.
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