Minha vida


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Nasci em 25 de junho de 1956. O Brasil estava em estado de sítio. Em 1959, militares tentam derrubar JK. Em 1961, Jânio renuncia. Em 1962, mísseis em Cuba quase deflagram guerra nuclear. Em 1964, golpe militar, revolução para duas décadas de ditadura. Em 1968, o AI 5 acaba com os direitos individuais. Em 1969, auge da guerrilha urbana com roubos, sequestros e assassinatos. Em 1973 vem a crise do petróleo e muda a história da humanidade. Em 1975 Vladimir Herzog morre torturado nos porões da repressão e o regime balança. Em 1977 o presidente Geisel fecha o Congresso. Em 1978 ocorrem greves no ABC e surge o Lula. Em 1981, bomba no Riocentro prenuncia o fim do regime militar. Em 1984 o povo grita ‘Diretas Já’. Em 1985, a volta meia-boca da democracia. Tancredo Neves é eleito presidente e morre.
 
Entre 1980 e 1994 vivemos superinflação, moratória externa, confisco monetário, duas recessões, dois colapsos cambiais, cinco planos econômicos, seis moedas e uma quase moeda. O Brasil teve 11 ministros da Economia e 14 presidentes do Banco Central! Vieram as eleições diretas. O Plano Collor e a tungada em nosso dinheiro. Tivemos impeachment, o Plano Real. O apagão. A eleição de Lula. O mensalão. 
 
É a história de minha vida. Como é viver num país sem crise? Não sei. Nunca vi o Brasil em paz. Sempre desorientado, enganado, roubado, ameaçado. Cheguei aos 50 anos (NR – Este texto está em livro de 2006, do autor) melhor que meu pai ou meu avô estavam quando tinham a mesma idade, aparência mais jovem, viajado. Meus filhos, melhores do que eu estava na idade deles, estarão melhores do que estou hoje, quando chegarem aos 50. Tem gente que acha que sou “sortudo”. Sou, sim. Aliás, dizia Thomas Jefferson: “Creio na sorte e tenho constatado que, quanto mais trabalho, mais sorte tenho”. Naquele dia, coloquei-me a pensar em como estaria eu, estaríamos nós, hoje, não tivéssemos vivido tanta crise?
 
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista

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