Reportagem do Comércio em sua edição do último domingo mostra uma realidade que vem tomando conta do País: famílias começam a se trancar dentro de suas casas, diante de uma violência crescente que atinge não apenas as metrópoles, mas também as cidades médias (como Franca) e pequenas. Muros cada vez mais altos, cercas elétricas, monitoramento eletrônico e alarmes deixaram de ser uma exclusividade das famílias mais abastadas, em bairros de classe alta e mansões suntuosas, e já atinge a classe média. Por onde se anda em Franca (e em outros municípios a situação se repete) são vistas casas fortificadas e cercadas, sem crianças nas ruas, mostrando que seus moradores estão encarcerados enquanto os marginais continuam à solta, tomando conta das ruas.
Não por acaso, nos últimos anos um dos setores que mais cresceu foi o de segurança pessoal. Carros blindados deixaram de ser prerrogativa de grandes empresários e donos de fortunas enormes, o mesmo ocorrendo com o aparato de vigilância em residências e empresas. É difícil se encontrar uma loja que não tenha câmeras e monitoramento, por menor que seja. Nas casas, muros altos, portões eletrônicos, câmeras de vigilância e cercas elétricas dominam o panorama. Em bairros de população de menos posses também veem-se muros altos e cacos de vidro no topo, na tentativa de impedir a entrada de marginais. Até quando esta inversão vai continuar, deixando gente de bem trancada e a marginália solta?
Ninguém está a salvo. Roubam-se tênis, telefones celulares, relógios e qualquer coisa que possa ser trocada por entorpecentes. Deixar o carro trancado na rua também não é garantia de segurança: a maioria é roubada assim. Mata-se fácil e à toa. Nunca a vida humana valeu tão pouco. E de nada adianta aumentar o efetivo policial, instalar câmeras de vigilância por toda parte ou até mesmo partir para chamada tolerância zero da polícia. Se não houver uma atitude para tornar nosso leniente Código Penal mais severo, deixando a condescendência de lado, não será possível mudar o quadro que se desenha para o futuro. E a continuar assim, ele será apocalíptico.
Todas as instâncias da vida nacional precisam, hoje, se unir e atacar, com muita seriedade e sem demagogia, os pontos fracos da legislação penal brasileira, na qual as brechas permitem uma impunidade revoltante a bandidos perigosos. Se as penalidades não forem endurecidas, acabando com a sensação de impunidade que dá coragem aos criminosos em suas atividades, continuaremos à mercê desta violência sem limites que domina a vida brasileira. Em outros países, como EUA, França e Espanha, a criminalidade não domina tanto o cotidiano. Diante do que vivemos aqui, sentenças mais longas e extinção de benefícios incompreensíveis são necessárias para que possamos voltar a andar com mais tranquilidade pelas ruas. Este seria um primeiro passo que levaria a outros capazes de voltar a dar ao brasileiro a sensação de segurança que ele vem perdendo nas últimas décadas.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.